De mais

domingo, maio 17, 2009

"_Mas, vejamos, que tens tu? - repetiu ela.
_Nada de extraordinário - respondeu Pedro com amargura. - Parece-me somente que sou de mais no mundo."

in O Músico Cego, de Vladimiro Korolenko (segundo reedição de 1971)


Somos compostos de elementos que nos capacitam para sentir. Se nos tiram um sentido, tiram-nos o outro sentido, o da vida. O porquê. Uma deficiência, ou melhor, uma característica a menos, ou a mais, é suficiente para nos deitar de rajada para a cama da sala ao lado, na dos que sofrem a dor silenciosa. Suficiente para sermos atirados para fora de uma janela baixa, rente ao chão, cuja queda não nos mata, mas que deixa mazelas por dentro da pele.
E de repente, a ideia da inutilidade. A ideia de sermos incompletos e, por isso, menos necessários. Por fim, ter o descernimento de saber que são as falhas e as diferenças que possibilitam a procura e o alcance de um estado vazio, onde tudo se pode aprender.

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2 comentários

  1. Obter uma resposta absoluta para não saber responder absolutamente a nada.

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  2. Um reflexo da nossa sociedade.

    Ladies and gentlemen, without a safety net
    I shall now perform a 180 flip-flop
    I shall now amputate, I shall now contort
    Because down is the new up
    What if I just flip-flopped?
    Down is the new up, is the new up

    Radiohead - Down is the new up

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