Vivência Limitada

terça-feira, julho 28, 2009


"A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de acções que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas — basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de acção que encontro à minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido."

Carlos Drummond de Andrade, in "Confissões de Minas"


O saber e estar consciente da grandeza do planeta em que vivemos é muitas vezes um motivo de angústia. Somos curiosos, queremos saber mais, experienciar mais, sentir mais. E sabemos, temos plena consciência, de que não podemos saber tudo. Nem lá perto.
Quem sabe, neste preciso momento, em qualquer local do mundo, estará a decorrer uma acção que para nós teria um significado profundo, capaz de mudar a nossa visão e forma de estar. Nunca o saberemos. Saber que nunca saberemos trás ao de cima o sentimento de impotência que tantas vezes evitamos.
Acabamos por nos sentir escravos de circunstâncias, fugindo ao cada vez maior infinito perdido que vai ficando para trás, mas crescendo, qual bola de neve invisível, mas pesada.

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