Pessoas estranhas #2 - a mulher que não sorri

domingo, fevereiro 08, 2015

Tess Christian decidiu, aos 10 anos de idade, que nunca mais iria sorrir, a fim de evitar as rugas.

Nem sei por onde começar. Talvez pelo início. Ela era uma menina com 10 anos quando decidiu que nunca mais iria sorrir na vida. Para evitar as rugas. Esta menina, em vez de se preocupar com Barbies ou com as Navegantes da Lua, com Nenucos ou em brincar às casinhas e aos médicos, preocupou-se com o seu aspecto dali a décadas. E estava a falar a sério. Não consigo imaginar a motivação que leva uma criança cuja maior preocupação deveria ser divertir-se e brincar, a estipular ali o seu maior objectivo de vida - não ter rugas dali a muitos, muitos anos.

Tess cresceu, foi à escola, teve amigos, foi a festas, tirou fotos, sem nunca esboçar um sorriso. Teve um filho, diz que se sentiu encantada mas que não sentiu necessidade de sorrir. Numa coisa tiro-lhe o chapéu. Esta mulher tem auto-controlo. E tem de se rir muito para dentro.

O riso é espontâneo. É uma das nossas marcas mais vincadas. Conseguimos distinguir alguém no meio duma multidão pelo modo como se ri. Apreciamos a beleza do sorriso das pessoas que nos rodeiam. Atribuímos uma relação entre o sorriso e a simpatia da pessoa. Tantas vezes rimos até chorar, até nos doer a barriga. Damos por nós a sorrir ao lembrar-mo-nos de determinado episódio engraçado que se passou.

Prefiro sorrir e rir a bandeiras despregadas. É bom, é saudável. E senhora Tess, lamento dizer-lhe, mas não encontrou o elixir da eterna juventude. Você parece ter a idade que tem. Alguém lhe devia dizer que rir faz bem aos abdominais, e aí acho que você iria fazer o contrário e teria agora uma barriga de ferro. Para além disso, parece que está sempre a fazer força para não rir, e isso faz com que pareça ter apenas gases.



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