Nem um metro de bom senso

quinta-feira, junho 18, 2015

Caros trabalhadores do Metro de Lisboa, este texto é para vós. Já perdi a conta às vossas greves. Hoje fizeram greve, já marcaram outra para a semana que vem, a última foi há poucas semanas, enfim, andamos nisto há anos. As vossas greves já fazem parte do meu dia a dia e antes de fazer qualquer plano lembro-me imediatamente de verificar se vão abrir a porra das cancelas.

Umas quantas coisas que tenho de vos dar conhecimento:

- As vossas greves não servem para nada, tirando para tirar os utentes do sério, e acontecem mais vezes do que herpes vaginal nas putas mais mal lavadas deste planeta. Neste ponto já se deviam estar a questionar que alternativas podem levar a cabo para reivindicar os vossos direitos. Been there, done that!

- Estão a atingir as pessoas erradas. As pessoas a quem vocês querem chegar deslocam-se confortavelmente nos seus carrões com motorista, e estão-se a cagar se o metro está fechado ou não. Ligam o ar condicionado e é para o lado que dormem melhor. Já é tão habitual que criaram o hábito de ir ao solário cada vez que há greve, e assim se mantêm bronzeadinhos uniformemente o ano todo.

- Todos temos problemas. Acham que eu estou satisfeita com as minhas condições no trabalho? Agora pensem em cada português que se sente assim, e como seria se cada um de nós fizesse greve com a mesma cadência que os senhores. Eu sei que se a empresa onde trabalho deixasse de fornecer os seus serviços um só dia que fosse ia haver uma revolução neste país e quem sabe a III Guerra Mundial, por isso acalmem lá o pito.

- Estão a prejudicar quem já é prejudicado. Há pessoas que não têm alternativa. Não têm meios para pagar um táxi. Não podem sujeitar-se em ir para a confusão dos autocarros e chegar atrasado. Não há comboio em todo o lado. Ou é muito longe para ir a pé. E essas pessoas perdem o dia por vossa causa. Elas não escolheram, mas têm de fazer greve porque vocês fazem. Agora pensem que essa pessoa passa por dificuldades para pôr comida na mesa todos os dias para alimentar a família. Essa é uma realidade comum neste país, ainda mais que as vossas greves. Por isso, pensem lá duas vezes.

Eu compreendo o direito à greve, e não estou a criticar o facto das fazerem. Estou a criticar a quantidade exagerada de greves, aliada ao facto de não estarem a produzir efeito algum naquilo que reivindicam. Pelo andar da carruagem (hoje parada...) têm de encontrar alternativas, buscar soluções, atingir quem vos está a prejudicar, e não quem vos paga os ordenados. Não são eles, somos nós.


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