O exemplo podre para a nação

sábado, dezembro 05, 2015

Ia Mário Soares com o rabo sentado no banco de trás do elegante Mercedes S350 quando o seu motorista bate noutro carro na rotunda de Entrecampos.

O nosso antigo Presidente da República pediu ao motorista que despachasse rapidamente o assunto, e este diz à condutora lesada que está com pressa. Atira-lhe um papel rasgado com um número de telefone, e vai-se embora. Sem declaração amigável, troca de contactos ou sequer um pedido de desculpa. A juntar à festa, o número que consta no papel está desligado.

É incrível como o peixe graúdo do país se julga intocável e superior às regras. É tudo muito bonito quando estão a pregar a um microfone pela justiça ou pela igualdade, quando nem são capazes de assumir um erro, dar a cara, ou simplesmente pagar o que devem. Tal como fazem os cidadãos que votam neles, todos os dias. Felizmente a condutora teve voz activa para divulgar este exemplo podre para a nação.

Ser responsável por um acidente e abandonar o local é crime. Seria desculpável se fosse uma mulher em trabalho de parto no banco de trás, ou alguém a ter um ataque. Mas não, era apenas um homem egoísta que não queria perder tempo, ou com medo que eventualmente lhe tirassem uma foto para o Correio da Manhã.

Pergunto ainda - porque é que este homem tem um um carro e motorista pago por nós, contribuintes? A reforma que tem não lhe chega para arcar com o seu próprio meio de transporte? Eu sei que ele tem 90 anos, mas isso não lhe dá direito de andar de cu tremido às minhas custas, até porque recebe por mês mais do que eu em 2 anos.

O meu avô tem a mesma idade e anda a pé. Cai porradões todos os dias e levanta-se. E recebe uma pensão miserável. Por isso, deixa de ser um chulo mafioso. O país, e o meu avô e os dos outros, deram-te mais do que isso.




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