Ana Mendes, grande cabra

sábado, janeiro 23, 2016

"Porém, devo falar sobre Ana Mendes, grande cabra, puta dum cabrão, viciada em trabalho, comprimidos para alergias e águas minerais com sabores, símbolo vivo da eficiência louvada por patrões, apresentada aos funcionários como modelo único de comportamento, estátua ambulante do sacrifício da vida pessoal, sagração de inexistência de vida para além dos relatórios de Excel, gráficos de vendas, stocks e facturas, monumento à infertilidade. Há momentos em que somos obrigados a conviver com pessoas de natureza tão distinta da nossa que bastam cinco minutos de contacto para percebermos que, cedo ou tarde, os diques que sustêm a hostilidade latente acabarão por ceder e quanto mais pressão pusermos sobre eles maior será a catástrofe."

In "As Primeiras Coisas", de Bruno Vieira Amaral (2013)

Todos nós temos uma ou algumas Anas Mendes na nossa vida. Aquelas pessoas (homem ou mulher) que vivem de e para o trabalho, que o colocam acima de tudo, que tudo fazem para subir na hierarquia, passam por cima de quem lhes aprouver e tornam-se assim tão desinteressantes que nem consideramos conhecê-las.

Não há nada para conhecer, sequer. Estas Anas Mendes, grandes cabras, não têm empatia, a não ser aquela que empregam a fazer mais um Powerpoint cheio de gráficos para mostrar aos tubarões lá de cima, em conjunto com o seu melhor decote e gestos demasiado perfumados.


Chega a um certo ponto em que a catástrofe se dá. Trabalhar com as Anas Mendes desta vida, grandes cabras, mais hora menos hora, dá merda.



Já agora, o livro de Bruno Vieira Amaral é excelente.

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