As entranhas de Nick Cave à nossa disposição

quinta-feira, setembro 15, 2016


A dor maior que um ser humano pode enfrentar tem de ser viver a morte de um filho. É algo pelo qual nunca ninguém deverá passar. Não é esta a ordem natural das coisas. Não é normal e aceitável que mais de metade de alguém parta. Nick Cave enfrenta essa dor. No ano passado, o seu filho adolescente morreu, caído num penhasco com uma trip de LSD.

Ora Nick Cave é um dos artistas mais talentosos do mundo, e se há alguém que sabe pegar no vazio, na saudade, no negrume de uma vida que não voltará e transformá-la em arte, é ele. Pegou na tragédia e criou algo belo. Transformou a tristeza profunda numa melancolia melódica. A dor está lá e não está disfarçada. Ela é partilhada connosco e é um privilégio íntimo poder senti-la.

Presenteou-nos com "Skeleton Tree", um álbum que saiu há uns dias e que basicamente são as vísceras de Nick Cave oferecidas numa bandeja. É um dos discos do ano, completamente viciante, terno e belo. Não há artifícios nem mentiras - há perda, dúvidas, vulnerabilidade e uma crueza palpável. É o seu luto em música.

Não deixem de ouvir, está disponível gratuitamente no Spotify. E. se começarem pelo single "Jesus Alone", entoem com Nick e os Bad Seeds e partam daqui para uma viagem sem regresso:
 
“You fell from the sky, crash-landed in a field near the river Adur. Flowers spring from the ground, lambs burst from the wombs of their mothers.”...

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