Há manhãs em que de tarde não se devia sair à noite

terça-feira, maio 23, 2017

Sábado de manhã. Associação de gatos abandonados onde faço voluntariado. Um dos gatos, o mais malévolo, vê a porta aberta e dá uma corrida rumo à liberdade. Vejo-o na minha direção e numa fracção de segundo tenho de tomar uma decisão: deixo-o fugir ou agarro-o de frente e o meu braço que se foda.

Que se foda o meu braço, então. Resultado: joguei-me para cima dele à maluca e fiquei marcada do pulso ao cotovelo por aquelas dentuças do mal. Duas das feridas bem profundas não paravam de deitar sangue, o cabrão acertou-me na veia. Fico suja de sangue, branca como a cal, a tremer e quase no desmaio, enquanto me cuidavam da ferida. Levam-me para casa. Tento fazer o almoço. Não consigo descascar batatas. Nem cebola. Nada. Acabo por enfio massa numa panela. Não consigo lavar a loiça. Não consigo limpar-me depois de ir à casa de banho (foi toda uma aprendizagem para usar a mão esquerda).

Sábado de tarde. Comprimidos para as dores no bucho. Tá-se bem, alta moca. Tenho o braço inchado e negro, mas tenho de ir testar a minha bicicleta nova que tinha chegado nesse dia para ver se está tudo bem. Desço, com ela no elevador (moro no 4º andar), vou dar uma voltinha. Tudo bem. Travões OK. Pneus OK. Mudanças OK. Volto para casa. Filho da puta do elevador avariado. Carregar a puta da bike por umas escadas apertadas até ao 4º piso, sem sentir o braço direito e a recuperar de ciática. Acho que nunca suei tanto na vida, e eu faço exercício todos os dias. Ficar a arfar no chão do corredor durante 15 minutos a recuperar. Gato aparece para verificar se estou morta e declara que sim depois de me cheirar o sovaco.

Sábado à noite. Vou jantar a casa do meu namorado, que mora no 3º andar sem elevador. Último lance de escadas. Quase lá em cima. A chegar. Até agora tudo bem. Depois, não sei o que aconteceu, mas mandei um tralho nas escadas. Não sei porquê, não sei como. Resultado: com o braço direito inanimado, meti o esquerdo ao chão. Fiquei com esse também inanimado, porque só com um o meu dia estava a ser muito fácil. E foi assim que fiquei com mãozinhas à T-Rex. Estavam lá mas encolhidas sem servirem para nada. Ainda bem que o jantar foi pizza e não foi preciso usar talheres.

Resumindo, há manhãs em que de tarde não se devia sair à noite...

PS: fica uma foto do Bernardo, o gato do além. Mas eu gosto dele à mesma. Aquela barriga fofa é a armadilha do mal.


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