Palavras do Abismo


A premissa do livro não é nova - e se soubéssemos exatamente a duração da nossa vida? O que é novo é a forma e o desenvolvimento dessa realidade. 

Num dia como tantos outros, todas as pessoas do mundo, absolutamente todas, acordam com uma caixa por perto que tem o nome do destinatário e uma inscrição - "Aqui se guarda a medida de uma vida". Lá dentro, existe uma corda, com um tamanho diferente para cada um, e que corresponde à duração da vida. Depois do choque e da confusão, e também do descrédito inicial, conforme o tempo passa a veracidade da corda é confirmada. 

Assim se forma uma nova sociedade, dividida entre aqueles que sabem que terão uma vida longa e os outros, os chamados "cordas-curtas", e ainda entre os que se recusam a abrir a caixa. E, como em todas as sociedades, as minorias começam a ser discriminadas, julgadas e postas de parte. Por exemplo, ninguém quer contratar "cordas-curtas". Os seguros recusam-se também a criar apólices para pessoas que morrerão em breve. São recusados tratamentos médicos àqueles que se sabe que morrerão de qualquer forma. As eleições estão à porta, e ninguém quer um presidente que possa morrer no mandato, nem qualquer "corda-curta" num alto cargo. Afetivamente o impacto é enorme - pais percebem que filhos vão morrer antes deles; há casais com tamanhos de cordas diferentes que não aguentam saber que o parceiro terá uma vida breve e separam-se; há amigos que se afastam porque não querem sofrer perdas.

À medida que os "cordas-curtas" vão sendo cada vez mais discriminados e conforme vão avançando leis para lhes tirar direitos, existem manifestações e atos de violência que os generalizam e catalogam como párias. No meio disto tudo, é pouca a empatia e compreensão por aqueles que são os mais lesados de todos - os que vão morrer em breve e sabem-no.

É um livro que, embora parta de uma situação completamente irreal e ficcional, levanta questões bem reais que podem ser facilmente encontradas à nossa volta nos dias de hoje, como a discriminação, instrumentalização política ou exclusão económica. A narrativa acompanha oito personagens e vamos observando as consequências disto tudo através dos seus olhos. Tem um ritmo intenso, uma boa estrutura, e os ingredientes necessários tanto para nos agarrar como para nos fazer pensar na nossa própria condição.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

Estava num restaurante com amigos, e eis que entra o Chris Martin, vocalista dos Coldplay. As pessoas das outras mesas ficaram ao rubro, uma carrada de "Aahhh" e mãos na boca e na cabeça, não acreditando na sua sorte. Então, o Chris pede silêncio, e anuncia: "Vamos jogar à apanhada. Ganha quem me enfiar um Rol pela goela abaixo". E desata a correr porta fora. 

Ouve-se o arrulhar de cadeiras e movimentações - toda a gente queria sair dali rapidamente e ter a oportunidade de oferecer o gelado a tão ilustre visita.

Um dos meus amigos ficou extremamente chateado pela interrupção do almoço - "quem é que este gajo pensa que é?". E quis ser ele próprio a encontrar o Chris e enfiar-lhe abruptamente o Rol pela goela abaixo, acabando rapidamente com aquele jogo.

E assim foi. Foi buscar um Rol à arca da Olá, e dirigiu-se imediatamente para atrás dum contentor do lixo, onde o Chris estava abraçado como uma aranha (para não lhe verem os pés por baixo do contentor). Agarra-lhe no pouco cabelo, mete-lhe a cabeça para trás, e obriga-o a engolir o Rol inteiro, enquanto diz: "querias pela goela abaixo, não é? NÃO É?". 

Acabou-se a brincadeira. As pessoas que estavam à procura dele manifestaram a sua desilusão. Andámos de volta para o restaurante e a banda sonora era Lovers in Japan.



Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

No livro "Crime nas Correntes d'Escritas", de Germano Almeida, há uma personagem, uma autora brasileira, que enfatiza de forma veemente a importância de Eça de Queiroz no Brasil, em especial no Recife. Como o livro, apesar de ficção, se basear em eventos e em escritores reais, fui pesquisar o quão real esse impacto seria. Ora vejamos:

  • Existiu a Sociedade Eça de Queiroz do Recife, dedicada à memória do autor, onde eram organizadas palestras, jantares e debates.
  • Na Madalena existe a praça Eça de Queiroz, que foi reabilitada e recebe eventos culturais.
  • Há uma relação afetiva criada na infância, pois a sua ama Ana Joaquina era natural de Pernambuco. Foi muito impactante nos seus primeiros anos de vida, visto que os seus pais não lhe ligavam nenhuma.
  • Perguntei a um amigo do Recife, que confirmou que estudou O Primo Basílio como conteúdo paradidático obrigatório. É habitual livros de Eça saírem nos exames.
  • Um dado curioso é que a estátua de Eça que existe na Póvoa de Varzim, sua terra natal, foi oferecida por poveiros a viver no Brasil (e não pelo Estado Novo, como alguns pensam), e essas comunidades contribuíram muito para a divulgação e adoração ao escritor.

Por último, quero enfatizar aquele que para mim é o dado mais incrível de todos - um recifense fanático mandou fabricar um rótulo de coleção, comemorativo, para uma marca de cigarros slim com a inscrição "ao illustre escriptor portuguez Eça de Queiroz". Nada grita tanto "dedicação" e "adoração" como meter o grande Eça no meio de dois bebés nus a segurar uma moldura para os Fumos Escolhidos de Pernambuco.


Portanto o veredicto final é verdadeiro - Eça é grande cena no Recife. E aprendi isso num livro de um cabo-verdiano. A língua portuguesa é incrível e liga-nos mais do que possamos pensar ou admitir.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

O cenário é uma feira de artesanato em Oeiras (!?) - muito concorrida, pelos vistos - pois procurei, sem sucesso e incansavelmente, lugar para estacionar. Já em desespero, um amigo disse: "eu conheço bem a zona e sei de um lugar um bocadinho mais afastado, vocês vão andando, eu estaciono, e já nos encontramos". Ok, muito bem, passado um bocado ele volta e devolve-me as chaves. 

Lá andamos pela feira, chega a hora de ir embora, e não sei porquê, fui sozinha. O meu amigo tinha-me dito como encontrar o carro, mas nada. Passo horas a vasculhar a zona que ele me indicou sem resultados. Tento ligar-lhe, não me atende. Sendo altas horas da noite, decido apanhar um Uber e ir dormir, voltando com a luz do dia para procurar o carro.

No dia seguinte voltei, e nada. Ligo para parques de viaturas rebocadas - zero. Vou à polícia, dizem não ter nenhum auto relacionado com o meu carro. Quero participar o carro como roubado, mas eles querem os meus documentos. "Os meus documentos estão no carro!!". Após uma discussão em que pareço maluca, não consigo provar que o carro é meu, ou sequer que tenho um carro. 

Vou embora e, em casa, na melancolia, deu-me para compôr uma música - uma versão da Where Is My Mind, dos Pixies, mas chamada Where Is My Car. Do que me lembro estava muito boa, e o videoclip era eu a chorar a uma janela ornada com pingos de chuva. Acho que a esperança era ficar rica com aquela música, e comprar outro carro.

Foi tão vívido, que a primeira coisa que fiz de manhã ao levantar os estores foi olhar lá para baixo, para o meu pobre Citroën, e descansar o coração.




Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

 "Porque sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo, e ao beber nem recorda que já bebeu na vida, para quem tudo é novo e imarcescível sempre..."

in Crime nas Correntes D'Escritas, de Germano Almeida (2025)

E imarcescível é...

adjectivo de dois géneros
1. Que não murcha; que está sempre viçoso (ex.: rosas imarcescíveis).
2. [Figurado] Que não acaba; que não se extingue (ex.: prazer imarcescível). = ETERNO, IMPERECÍVEL
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Vá... A partir do momento em que leram "que não murcha" pensaram no mesmo que eu, certo? Flores e balões, pois claro.
É uma palavra que bem podíamos incorporar no nosso dia a dia, não fosse tão difícil de dizer (e até de escrever). "Querido, você hoje... está imarcescível, benza-o deus" ou "Sónia, o que fizeste aos peitos? Estupendo, estão imarcescíveis...". Esta é uma conversa que só ocorreria num meio muito beto.

De qualquer forma, podem passar a usar - tanto para se armarem em intelectuais, como para confundirem um parceiro masculino na hora do bem-bom e deixá-los com aquilo na cabeça durante o ato, obrigando-os sub-repticiamente a ligar a net para verificar se os estão a admirar ou vexar. 



Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

 De todas as coisas estúpidas que Donald Trump diz, esta é concerteza das piores: 



Atribuir a morte de Bob Reiner, que foi uma coisa brutal e macabra, ao seu sentimento por ele próprio, é de um egocentrismo e de uma falta de tacto, sensibilidade e empatia gritantes.

Estamos a falar da pessoa que quis trucidar o Jimmy Kimmel, humorista, por uma piada por ocasião da morte de Charlie Kirk (a piada nem era sobre Kirk, era sobre Trump) e que acusou os democratas de insensibilidade por não se compadecerem da forma que ele queria. Na altura da morte de Kirk, Bob Reiner até veio a público lamentar toda a situação e descrevê-la como um autêntico horror - sim, porque é "normal" pessoas "normais" terem empatia, mesmo quando são de outro espectro político.

  • Charlie Kirk foi assassinado, e foi porque as pessoas são horríveis e loucas que não respeitam visões políticas diferentes.
  • Bob Reiner foi assassinado, e foi bem feita, porque não apoiava Trump. Surreal.
Bob Reiner manifestava as suas opiniões de forma educada e ordeira, e era muito querido pelos seus colegas e fãs, tido como uma pessoa afável e solícita, para além de ter deixado um legado artístico notável. E deve ser isso mesmo que enerva Trump - que alguém que o criticava tenha tido uma grande onda de amor e condolência na hora da morte. Trump aproveitou essa hora da morte para cagar no seu cadáver ainda morno e dizer obscenidades.

Trump está a legitimar que, quando ele adoeça ou morra, as pessoas festejem e digam o que quiserem. Que falta de decoro e integridade, de sentido de Estado, de decência, que ser humano execrável e narcisista. 

E enquanto se lamenta estes momentos "delulu" (mesmo quem votou nele), continuamos a achar muito normal que qualquer pessoa nos EUA tenha acesso a armas para continuarmos a ver massacres diários e a alimentar a estatística de que 9 em cada 10 crianças mortas por armas de fogo vivam nos EUA. Well done!
Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

 "Então, avistaram o Cometa, deslocado, brilhando com um reflexo pálido; a cabeça, a cauda e o dorso davam gritos dementes; os membros dispersos caíam na escuridão das ondas, estilhaçando-se como lâminas de metal.
_Tudo isto transformar-se-á numa holotúria - disse suavemente o Turbilhão".

in O Escritório dos Gatos, de Kenji Miyazama (1997)

O que raio é uma holotúria?

"Animal equinodermo marinho, de corpo alongado, com tegumento mole, granulações ou concreções calcárias, boca, numa das extremidades oposta ao ânus, cercada de tentáculos, utilizado desidratado na cozinha oriental. = PEPINO-DO-MAR"
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Ah, ok. Afinal é só um pepino-do-mar. Porque não dizem logo pepino-do-mar? Mas nããão, armadas em vedetas intelectuais obrigam uma pessoa a ir ver o que é, apenas para se desiludir. De qualquer forma, alguém tinha de o fazer e cá estou eu a informar que uma holotúria é um pepino-do-mar. Gostaria que o post #100 sobre coisas que se aprendem fosse mais interessante, só que não. 
Mas vamos ao que importa. Quem é que quer comer uma coisa cuja descrição tem "anus"? (para efeitos alimentares, cof cof) E não só! "Tegumento mole, granulações ou concreções calcárias" ? Ai, que apetitoso, quero tanto.
Ao procurar imagens, pensei que a descrição mais adequada seria "pénis cortado, deitado ao mar, apodrecido e inchado". De nada.






Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

O sonho foi só isto: abri o compartimento do detergente da máquina de lavar roupa após lavagem, e o detergente e amaciador continuavam lá, mas com um aspeto enegrecido, podre e malcheiroso. E pronto, acabou, ou não me lembro do resto.

Fico lixada - são estes os sonhos da meia-idade? Nada de sonhos molhados, universos paralelos e situações cómicas, cósmicas e absurdas? Agora sonha-se com detergente para a roupa e vida doméstica? Pronto, agora o "eu" de mantinha e saco de água quente também existe no outro lado do espelho. Finito.

Como tem vindo a ser habitual, o nosso novo amigo Chat GPT dá uma ajuda e diz que sonhar com detergente não utilizado pode simbolizar esforço que não está a ser reconhecido, e por estar escuro pode querer dizer que estou cansada de cuidar de tudo. Com razão! Uma pessoa a trabalhar há tantos anos e ainda não é rica, tem de lavar a própria roupa, limpar a própria casa, fazer a própria comida! Francamente.



Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

Há um homem que treina no ginásio onde ando que é extremamente simpático. Cada pessoa que vê entrar faz questão de cumprimentar, com uma voz profunda e gutural. Solta um BOA TARDE que parece saído da garganta do vocalista de Machine Head, mas mesmo assim algumas pessoas, que devem ter phones de boa qualidade, não ouvem, ou fingem não ouvir. Mas isso não demove o seu espírito gentil e continua, dia após dia, fazendo questão de facilicar o dia a todos. 

Hoje fui para uma máquina no ginásio que tinha um banco à frente e eu precisava de espaço. Ele surge do nada perguntando se queria que ele tirasse o banco, e eu "já agora..." e aproveitei a oferta - menos trabalho para mim. Ele estava de saída, e passou pela rapariga ao meu lado, uma moça mais novinha, gordinha, e claramente ainda a dar os primeiros passos num ginásio, e disse-lhe: BOA! ESTÁS A IR BEM! BOM TREINO, ATÉ AMANHÃ! (escrevo em maiúsculas pois a voz dele é mesmo alta e gutural), ao que ela respondeu um tímido "Obrigada!". Bem... tive um vislumbre da cara da rapariga, com um sorriso tão orgulhoso e feliz, e pensei, porra, ser simpático pode mudar mesmo o dia de alguém. Ainda o ouvi soltar um EPÁ PRAZER EM VER-TE POR AQUI OUTRA VEZ já quase na rua, fazendo mais uma vítima da sua simpatia.

Às vezes ele treina com uma mulher, que deve ser a namorada/esposa, e quando ele faz estas observações às pessoas e se embrenha em conversas, elogios, e insistência em falar com toda a gente, ela baixa a cabeça e abana-a ligeiramente, mostrando que, ya, fod@-se, deve ser cansativo para caraças partilhar a vida com alguém tão dado e solícito. Cada ida ao ginásio, ao supermercado, ou andar na rua com ele deve ser muito complexo e muito, muito, moroso. De qualquer forma, nós, os outros, que só o apanhamos uma horita por dia, celebramos a sua existência.

Há umas semanas, no Pingo Doce, também apanhei a operadora de caixa mais simpática e alegre de todo o sempre. Com uma entoação felicíssima, a fazer perguntas e a entusiasmar-se com as respostas, a rir-se de si mesma, com um sorriso sempre aberto e uma atitude tão positiva, que saí de lá a pensar se no Pingo Doce se ganharia assim tão bem. Eu, que tenho sempre arroz de trombas e trabalho no conforto do meu lar, não tenho um pintelho da simpatia e disponibilidade daquela rapariga que atura pessoas todos os dias em horários difíceis por um valor provavelmente mais baixo. O que é certo é que não saí de lá com a mesma disposição com que entrei, e aqui estou eu a pensar nela, semanas depois. 

Já no Continente, se estiver lá a trabalhar uma certa rapariga, que já sei que é a mais simpática e prestável, escolho a sua caixa. Enfrenta, com um sorriso inabalável, idosos que pagam com todo o conteúdo de moedas pretas da carteira; quando vai fechar a caixa, se vir que estão a chegar idosos ou pessoas com crianças, volta atrás; sussurra a perguntar se não tenho um tal cupão de 10% de desconto em pão fresco, porque estou a comprar e não estou a amealhar os 10 cêntimos que me são devidos. Vejo-a, esforçada, tentanto facilitar a vida das pessoas e ajudar os colegas com um motor inesgotável, e sinto-me mais leve por existirem pessoas assim.

Servem estes louvores para dizer que se há frase feita que faça sentido, é a de que se pode mudar o dia de alguém, sendo apenas simpático, empático, deixando atrás de si migalhas que decerto outros apanharão e distribuirão também. Este será o post mais simpático que verão de mim, esta alma rezingona, mas que também se alimenta dos gestos que nos fazem gente.



Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

Estava curiosa para ver o Frankenstein pela mão de Guillermo del Toro, e no geral não me desiludi. A sua estética característica está lá, a produção é excelente, assim como as interpretações dos atores, e até mesmo a adaptação do livro de Mary Shelley é bem feita - talvez a melhor das adaptações Frankenstein. 

No entanto, tenho uma crítica a fazer (e que ninguém perguntou): o monstro é bonito.

É suposto o monstro criado por Victor Frankenstein ser grotesco, provocar repulsa ao olhar, medo, pânico. No fundo, ele é feito de cadáveres e órgãos alheios; quer-se que seja fisicamente anti-natura, feio, uma anormalidade. Este "monstro", no entanto, pareceu-me saído de um Fantasma da Ópera ou de um filme da Disney, o que mudou o meu sentimento ao ver o filme - deixou de me parecer um monstro para parecer um adulto infantilizado. 

A humanização do monstro é algo chave para a narrativa, sim, mas em termos psicológicos e não físicos. Caso contrário, quase nos esquecemos da origem nefasta da sua existência. Ao tornar o monstro bonito, a empatia surge mais rapidamente do que era suposto e a ideia de Mary Shelley (quem é o monstro - a criatura ou o criador?) perde alguma força. Sentimos mais pena do que medo, menos desconforto, menos impacto emocional. Simplesmente, se a criatura é bonita, não será uma falha assim tão grande no conflito ético / científico que domina o início da sua criação.

Se calhar estou a pensar demais, mas que dizer, olhem bem para estes beiços carnudos e cabelo à D'Artagnan.




Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Older Posts

Recebe novos posts por email

Obrigada!

Vais passar a receber novos posts no email.

Segue-me no X

Translate

Recentes

Top da semana

  • A cara triste do Ben Affleck é priceless
  • Pure Morning
  • Livros bacanos #5 - A Medida, de Nikki Erlick (2022)
  • Pessoas estranhas #13 - as que cortam as unhas em todo o lado
  • Sully
  • Sonhos marados #57 - Chris Martin quer um rol

Categorias

pessoas estranhas música gajas coisas boas filmes desabafos as coisas que se aprendem animais cinema portugal morte trabalho vida sonhos tristeza merda séries ambiente redescobertas musicais vozes de gaja

Arquivo

Pesquisar

Visitas

No abismo

Created with by ThemeXpose | Distributed by Blogger Templates