Velhos são os trapos

domingo, abril 08, 2012

Muitas vezes, nem os trapos o são. Os que tenho, são bem mais novos do que eu. Aliás, quase tudo o que tenho ou que me passa pelas mãos tem menos do que a minha idade. Tirando músicas intemporais, filmes de sempre que ficarão para sempre, tudo é novo, recente, e eu vou ficando mais velha. Já olho para a nova geração com a irritação que na altura, decerto, me olhavam. Já não suporto os risinhos nada abafados no cinema, os grupinhos estridentes, as vozes adolescentes que falam a gritar nos transportes públicos e que irritam toda a gente, as raparigas que já não têm qualquer pudor e querem esfregar as suas carnes a todos os que passam. Sinto-me crescida. Algo mudou. Mesmo assim, ainda sou nova. Mas vou deixar de o ser. A maneira como olham para mim também irá mudar conforme o forem as rugas na minha cara e as formas do meu corpo. O que me assusta é que os valores e o respeito também estão a mudar, e não é para melhor. Daqui a 20 anos, o que me restará? Quem estará a meu lado a atravessar a vida da mesma maneira que eu? E quando chegar a hora? Só sei que não quero estar sozinha. Velhos são os trapos, mas também seremos nós, cada um de nós, até que, como os trapos, velhos já não serviremos para nada, e a vida nos jogará fora, esperemos, respeitosamente.



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2 comentários

  1. Vou cá estar eu ao teu lado para atravessar a vida da mesma maneira que tu :)

    I love you@@

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  2. Isso me lembrou o filme/livro "Amor nos tempos do cólera" (impressionante!! - o livro E o filme). Creio que qualquer expextativa seja um passo para a frustração. Ao invés disso, aprecio a misantropia e tudo o que ela tem a me oferecer.
    Belíssima, a sua reflexão.

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