Bizarra energia

sábado, junho 23, 2012

Sentia-me farta e cansada. Não me apetecia largar o sofá, que me chamava com canções hipnotizantes. Também não me apetecia conduzir, depois de noites consecutivas mal dormidas. Ainda por cima estava frio e desagradável lá fora - uma segunda noite de Verão muito agreste. As minhas esperanças de passar um bom bocado eram nulas. Pensava para mim durante todo o caminho o que estava a fazer à vida. Queria descansar, dormir, relaxar. "Se não tivesse comprado já o bilhete não ia", pensava. E nem lugares para estacionar, nem moedas para dar aos impertinentes arrumadores de carros, nem sequer força nas pernas para andar rapidamente pelo Cais do Sodré para chegar a horas. Mas como tudo tem um "mas", bastam aqueles homens pisarem um palco e tudo muda. Não sei como pulei quase 2 horas, gritei até não ter voz, e assassinei o meu pescoço com tanto headbang. Sem dores, sem cansaço, apenas eu e eles, eles e todos, nós todos, a fiel e negra escumalha. Os Bizarra Locomotiva têm qualquer coisa. Mais do que qualquer coisa, têm um poder estranho sobre nós, seus apêndices. Só quem lá está é que sabe. Eu sou escumalha, com um orgulho desmedido, e esta bizarra energia que me dão, qual feiticeira negra, vai viver enquanto eles viverem.

Obrigado também a B., por me teres tirado de casa e mudado a minha cara de sono e tédio, típica de quem não se recorda de que a locomotiva quando nasce, não é para todos, e nós estamos entre os privilegiados.


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1 comentários

  1. Concordo tanto com o que escreveste!
    O sentimento é exactamente esse. Mesmo com uma barriga que me faz ter mais 12 kg que o habitual e que não me permite ficar mais de 5 minutos em pé, lá arranjei forças vindas de não sei onde para me aguentar!
    Os concertos deles são únicos :)

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