Vozes de gaja #8 - a sereia louca

quinta-feira, agosto 25, 2016


Não sou fã de hip-hop, embora nos meus idos tempos de adolescência tenha passado por essa fase, na qual os Mind da Gap dominavam claramente as minhas preferências. Sim, vestia roupas largas da Resina e gorros de malha duvidosos, parecidos com os dos Smurfs.

Adiante, apareceu-me à frente a Capicua um dia destes (não a artista, mas a sua música) e não me agradou particularmente por, lá está, não ser fã de hip-hop. Mas uma música em especial chamou-me a atenção e tocou-me. É a "Sereia Louca".

Para além da musicalidade ser excelente, de tudo ser dito e feito nos tempos certos e com o tom certo, e de misturar 'portugalidades' como a guitarra e o fado, o mais me agrada é a letra. Fala de uma mulher, uma sereia, que sonha em pisar a terra, usar vestidos e sapatos, experimentar o beijo de um homem e a vida fora do mar. Sentir a liberdade. E apesar de lhe chamarem louca, porque a terra não é o seu lugar, ela arrisca, apesar da falta de ar, do seu canto que magoa os homens, das roupas parecerem tão apertadas... porque "pior do que o seu canto há-de ser o seu silêncio".

É bonito, melódico, e um hino à emancipação da mulher e à liberdade de escolha. Porque não são os outros que nos devem dizer do que somos ou não capazes. Capicua já é caso sério na música nacional, e com a sua força e trabalho tem elevado o hip-hip português (e feminino) a outro nível.

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