Um dia essa saudade vai ser benigna

quinta-feira, janeiro 19, 2017

"procurou um silêncio limpo como uma folha muito limpa onde pudesse escrever uma frase mais digna e disse, um dia essa saudade vai ser benigna. a lembrança da sua esposa vai trazer-lhe um sorriso aos lábios porque é isso que a saudade faz, constrói uma memória que nós nos orgulhamos de guardar, como um troféu de vida. um dia, senhor silva, a sua esposa vai ser uma memória que já não dói e que lhe traz apenas felicidade. a felicidade de ter partilhado consigo um amor incrível que não pode mais fazê-lo sofrer, apenas levá-lo à glória de o ter vivido, de o ter merecido."*

in A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe (2013)

Depois da frustração, da profunda tristeza, do vazio dos lugares e das coisas que são criados com a ausência permanente do corpo de alguém que partiu, há-de chegar um tempo, uma altura, uma hora, em que a recordação provocará um sorriso. Será a saudade, sim, mas envolta em recordações doces, como o reconhecimento de um privilégio por termos privado com essa pessoa. A glória da partilha tomará conta de nós. É assim a a vida, e sempre será.

 *Não é gralha - o texto original é mesmo sem maiúsculas.


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2 comentários

  1. Mesmo as recordações mais doces nos fazem derramar uma lágrima, mesmo que se consiga um sorriso! (é só ouvir o Mr. Bojangles e imaginar o meu pai a assobiar ou trincar uma filhós no Natal para lembrar com um sorriso a mãe)

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  2. Apesar do amargo de boca, isso é vida, a lembrança de vida, que ficou connosco. Obrigado pela partilha.

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