Silêncio, que se vai falar do filme

quarta-feira, maio 03, 2017


Martin Scorsese foi ambicioso e corajoso ao fazer este filme. Ao contrário da maioria dos filmes da sua carreira, este não é um que todos queiram, pelo menos, experimentar ver. As quase três horas de duração e o tema da religião ligada aos jesuítas portugueses afastaram muitos dos ecrãs que procuram o cinema instantâneo. Já eu, adorei o "Silêncio".

Comecemos pela imagética, que é absolutamente fantástica. Uma fotografia de tirar a respiração, aliada a planos fora do senso comum, e acompanhados de efeitos sonoros totalmente adequados para ajudar ao impacto visual. Do princípio ao fim. O ambiente do Japão ajuda, claro, à criação de uma aura espiritual que nos engole.

Quanto à trama, conta a viagem mirabolante de dois padres jesuítas portugueses (Andrew Garfield e Adam Drive), que partiram rumo ao Japão para encontrar o padre Ferreira (Liam Neeson). Há rumores que este se tornou apóstata, renunciando ao cristianismo e vivendo como um japonês. Num país onde os cristãos são perseguidos e torturados, os dois embarcam numa senda perigosa para encontrar o antigo mentor e servirem de inspiração e porto de abrigo a todos os crentes que estão a ser perseguidos.

E há tortura, morte, desespero, luta pela sobrevivência, perseguição; ingredientes que já seriam suficientes para nos prender à história, mas é muito mais do que isso.

No elenco destaca-se Andrew Garfield, que menciono pela segunda vez em poucos dias. Se já se me tinha confirmado o seu talento, esta é uma extrapolação deste. A sua interpretação deixou-me sem palavras, sendo o espelho e o espectro de um homem tão confuso e seguro de si, tão desesperado e certo das suas acções, transportando a dualidade de sentimentos no rosto e nos gestos de um papel nada fácil mas que cumpriu na perfeição.

Aconselha-se aos amantes do cinema, de História, aos que buscam imagens poderosas e aos simplesmente curiosos.

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