Gente felizarda sem saber

terça-feira, dezembro 09, 2014

Vocês, pessoas que fazem o que gostam, são pagas por isso e têm um bom ambiente de trabalho, não sabem a sorte que têm. Vocês ganharam o Euromilhões e passeiam-se por aí no meio dos demais, pobres sem esperança como eu, e invejo-vos.

Eu já fui como vocês. Vivi um sonho, sem o saber. Trabalhei com um grupo de pessoas espectacular. Pareciam ter sido talhados para passar comigo as muitas horas diárias que um trabalho normal requer. Éramos tão diferentes, como fatias desiguais, mas parte do mesmo bolo. Brincávamos, fazíamos jogos parvos, dançávamos coreografias estúpidas, pregávamos partidas, ríamos, e nunca, mas nunca, falhámos um prazo. Fazíamos as horas extra não pagas sempre que fosse preciso, porque o nosso trabalho era brutal e porque nos tínhamos uns aos outros. Ia para o trabalho com prazer, e nessa altura demorava 1h30 a lá chegar. Mas não havia problema. Ia trabalhar em coisas fixes, com os meus melhores amigos. Hoje, passados mais de 6 anos após ter saído da empresa, eles continuam a ser os meus melhores amigos, a minha segunda família.

Não sabia a sorte que tinha. Hoje olho para trás e dói saber que nada será como dantes. Trabalho porque tem de ser, porque não tenho alternativa. O que faço não me aquece nem arrefece. Não gosto das pessoas com quem trabalho, não podíamos ser mais incompatíveis, não me dizem nada e há até casos que me despertaram ódio puro e vontade de os matar a todos. Sinto-me explorada, triste, decepcionada, desiludida, enfadada. Levantar-me de manhã  para passar o meu dia com gente medíocre está a fazer-me mal.

Acima de tudo sinto-me mal comigo própria por não ter tomates suficientes para dizer que já chega. Um dia vou ter. Espero que não seja tarde demais.




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