Amizades que se perdem

segunda-feira, março 30, 2015

A primeira amiga que perdi a sério e para sempre fez parte da minha vida há cerca de 10 anos atrás. Conhecemo-nos durante a faculdade e durante uns anos fomos inseparáveis. Íamos para as aulas, almoçávamos na casa uma da outra, fazíamos alguma coisa depois das aulas, víamos filmes, íamos às compras, à praia, fazíamos trabalhos de grupo, estudávamos, íamos tirar fotos a qualquer lado, sempre juntas. Eu conhecia a família dela e ela conhecia a minha. Fomos a festivais, fui à casa de férias dela, ela foi passar fins de semana à minha terra.

Um dia eu soube, não me recordo como, que não havia a primeira aula. Esqueci-me de a avisar. Fiquei a dormir, ela levantou-se cedo e ligou-me quando se apercebeu. "Foda-se, desculpa.", disse eu assim que atendi, apercebendo-me do meu esquecimento. Ela não desculpou. Levou a mal que eu tivesse ficado com o cu na cama e que não me tenha lembrado da minha melhor amiga. Nunca mais me falou. Estive mal, mas até hoje penso que não é razão para se jogarem fora anos de amizade. Tenho pena. Se isto não tivesse acontecido, talvez ainda fossemos amigas, talvez não, mas lamento que um não propositado esquecimento tenha ditado o fim da mais forte relação de amizade que tinha tido até então.

Antes disso, na escola secundária, já tinha tido fortes amizades que esmoreceram com o tempo e com a distância. É inevitável que se percam pessoas no caminho, até porque estamos em constante mutação, e olhando para mim hoje já não encontro interesses em comum com quase ninguém que conhecia na altura. É natural.

Quando não é natural é que custa. Não faz sentido perder pessoas pelo caminho, com quem nos identificamos, com quem já partilhámos tanto, com quem continuamos a ter coisas em comum, com quem dividimos paixões, pontos de vista, interesses, com quem é bom conversar, ou simplesmente estar sem dizer nada. O que aconteceu há 10 anos atrás já voltou a acontecer e é parvo. Erros acontecem e não nos definem, seja de que lado forem cometidos.

Amigos verdadeiros são difíceis de encontrar, mas mantê-los é fácil. Porque tudo é fácil perto deles. Podemos ter a cabeça perdida, chamar-lhes nomes, ser um filho da puta, que eles estão lá para nos darem um calduço e segurarem o cabelo quando vomitamos. Podemos ficar meses sem nos vermos, que quando nos encontramos é uma festa e uma palhaçada como só nós sabemos.

E para os que ficaram no caminho - tirando a morte, tudo na vida tem remédio.




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