Pessoas estranhas #3 - A deficiente não diagnosticada

domingo, março 22, 2015

Tenho uma colega, vamos-lhe chamar "Diana", que é deficiente mental mas ainda nenhum médico lhe disse.

A Diana fica a olhar para o infinito diversas vezes por dia, de boca aberta, e juro que vá vi baba a escorrer-lhe pelo queixo abaixo.

Ela parece um bisonte a andar e apesar de ser magra o chão treme quando ela passa. Às vezes corre, e eu já estive quase a puxar o botão de emergência com medo de terramoto.

A Diana só sabe falar alto. Não tem noção de classe ou de decoro. Tudo o que ela diz é aos berros, chamando a atenção para si própria. Ela esbraceja, ri-se a bandeiras despregadas, pula, grita, portanto tem um comportamento completamente aceitável num open space.

A Diana descobriu que atrás de mim a rede de telemóvel é fantástica por algum motivo que só ela sabe, por isso vai sempre atender as chamadas atrás das minhas costas, aos berros, claro, porque não sabe falar normalmente.

Ela olha-me de alto a baixo como se eu fosse uma ave rara, porque já se sabe que os deficientes mentais têm dificuldade em desviar os olhos de alguém diferente deles, como pessoas com piercings, tatuagens e que se vestem de preto.

Falta-lhe sexo, muito sexo. A Diana não pode ver um homem, que começa a pavonear-se, a falar ainda mais alto, a dar-lhe toquezinhos, a mexer no cabelo e a fazer piadinhas de duplo sentido.

A Diana dá high fives ao administrador da empresa. Nós os demais temos uma relação normal com o senhor, mas a Diana, como deficiente mental, tem aquele tratamento preferencial.

Tenho muita vontade de dar dois pares de estalos na Diana, mas tenho de me conter para não bater em deficientes mentais. Conto que na próxima vez que visitar o senhor doutor a Diana fique a saber que tem Trissomia 21 não diagnosticada. Porque isto não pode ser uma pessoa normal, numa posição de chefia, não pode.





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