O flagelo de todos os Verões

quarta-feira, agosto 19, 2015

Há alguns dias atrás estive em Segade, perto de Góis, um sítio lindíssimo e bem longe da cidade. O ideal para recarregar baterias. Óptimo para descansar com os amigos e com o namorado. Gente simpática. Boa comida. Uma praia fluvial tranquila de uma beleza extraordinária. Um sítio onde a civilização está longe, e ainda bem. Precisamos de sítios assim.

Mas mal chegámos as lágrimas vieram-me aos olhos e mal as consegui conter. Tudo preto. Pensei que ia estar rodeada de verde por todos os lados, que ia encher os pulmões de ar puro o mais possível, mas ao invés disso encontrámos uma paisagem desoladora e um cheiro a queimado que nos bateu de frente como um muro.

A dona do estabelecimento de turismo rural onde ficámos (Terraços da Beira - super recomendado) explicou-nos, com as lágrimas a correr, como temeu pela terra onde vivia, como pensou que ia perder tudo, como não parou de ajudar os bombeiros a partir do momento em que o inferno lá chegou e ameaçou tirar-lhes tudo o que tinham. Contou como viu os animais a fugir, as pessoas aflitas, como as propriedades foram destruídas, como se sentiu impotente perante a força do fogo. Foi de coração pesado que a ouvimos contar o pesadelo que lhe bateu à porta havia poucos dias.

O pior de tudo foi quando a senhora disse ter sido mão criminosa. Foi alguém, consciente, uma pessoa, um humano, que decidiu atear fogo a um dos mais belos locais que já vi. Não compreendo como é que alguém consegue fazer isto. Não consigo perceber a motivação destas pessoas. Não sei o que passa pela cabeça de alguém que decide provocar a morte dos animais e dos seus habitats, pôr milhares de pessoas em pânico, a temer pelas vidas e por tudo o que têm e construíram numa vida. Não consigo atingir o nível de demência mental de alguém que conscientemente destrói milhares de hectares de natureza, de pura beleza, das árvores que nos dão ar, vida, que nos alimentam os pulmões e a alma.

E depois o que lhes acontece? Nada. Saem impunes de um acto criminoso bárbaro e vil. Pensar que Portugal tem mais incêndios que quase todo o resto da Europa é assustador e triste.

Querem brincar com o fogo? Tomem banho em álcool e acendam a porra do isqueiro.

fogo em segade


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