Sonhos marados #25 - a cidade sem nome

segunda-feira, outubro 17, 2016

Eu e os meus amigos decidimos embarcar numa viagem mas não sabíamos onde. Pedimos ajuda a uma agência de viagens baratinha e eles propuseram-nos um negócio irrecusável. Era uma semana numa cidade com tudo pago - hotel de 4 estrelas, avião de ida e volta e todas as refeições incluídas - por menos de 500€. Mas tinha um senão - não nos podiam dizer qual era o destino. Tinha de ser surpresa. Garantiram-nos que era na Europa e fora de Portugal.

Como aventureiros, decidimos aceitar. "O que é o pior que pode acontecer?", perguntámo-nos. "Sermos raptados e esventrados para tráfico de orgãos? E ninguém da família saber do nosso paradeiro?", alguém respondeu, e rimo-nos com pouca vontade a olhar uns para os outros já com um friozinho na barriga.

E lá fomos, num avião que não dizia o destino, e quando dele saímos tivemos de tapar os olhos com uma venda escura. Fomos conduzidos para um hotel e só nos nossos quartos pudemos tirar a venda. Olhámos em volta e tudo parecia normal. Espreitámos para a varanda e na piscina estava a decorrer uma festa ao pôr do sol só com gente gira, muito álcool e boa música. Ficámos satisfeitos.

Fomos logo para a festa e passámos um óptimo bocado e, claro, ficámos bem bebidos. No dia seguinte, com uma valente ressaca, fomos dar uma volta pela cidade e foi aí que a porca torceu o rabo. Começámos a reparar em alguns pormenores - as ruas não tinham nomes, os nossos telemóveis não tinham sinal (também não nos lembrávamos de haver telefone no quarto), os carros não tinham matrícula, e ninguém na cidade falava uma língua que fosse perceptível. Nas lojas onde entrámos também não havia telefones, as pessoas não nos entendiam ou fingiam não entender, e começámos a entrar um pouco em pânico.

Voltámos ao hotel, tentámos perguntar pelas pessoas da agência que nos levaram, e nada, ninguém nos entendia e esquivavam-se. Telefones visíveis, também nada. Aí reparámos noutro grupo de turistas por lá, que tínhamos visto na festa, e em inglês lá percebemos que tínhamos o mesmo problema. Estávamos incontactáveis e abandonados.

E aqui acordei, com a "Where The Streets Have No Name" dos U2 na cabeça. Foi pena, porque queria saber o desfecho disto. No fundo, dava um belo início de um filme de terror.


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2 comentários

  1. Se fosse no "meu tempo" a banda sonora desse sonho era o "Hotel California", onde se entra e não se consegue sair!

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