Agir, antes que vá tudo por água abaixo.

quarta-feira, novembro 02, 2016

Com produção executiva de Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio, com narração e entrevistas deste último, e realização de Fisher Stevens, "Before The Flood" é o documento último e triste sobre as alterações climáticas que todos estamos a provocar ao nosso planeta, à nossa casa.

O aquecimento global é uma realidade conhecida há décadas e os impactos são cada vez mais visíveis. Infelizmente, os interesses económicos dos grandes grupos que comandam o mundo desmentem a sua existência, ridicularizam a comunidade científica (havendo até provas de ameaças de morte e chantagem para com cientistas) e juram a pés juntos que não, está tudo bem com o planeta. Dizem que sim, que devemos continuar a consumir, consumir, consumir, sem medos, porque nada vai acontecer e está tudo bem enquanto eles estiverem com os bolsos cheios.

É ridículo andar pelas redes sociais, pelos sites noticiosos, fazer zapping pelas notícias e ver a quantidade de gente que acha genuinamente que o aquecimento global é uma mentira. Acham normal os 30 graus no fim de outubro, acham normal termos o verão mais quente dos últimos 180 anos, acham normal nevar em Lisboa, tirando selfies e enchendo o Facebook de "eu". Acham normal as inundações, as secas profundas, o aumento do nível do mar que nos vai tirar a costa e que já "comeu" ilhas no Pacífico, acham normal o Ártico estar a derreter, os maremotos que tiram vidas, a escassez de alimentos, a alteração do regime de chuvas, a extinção desmedida das espécies, os incêndios, o fim de tantos ecossistemas, os furacões... Portanto, nada de novo. Tudo isto é normal. Não é uma manifestação da doença de um planeta que, este ano, chegou ao limite da sua capacidade de nos dar recursos para vivermos. Continuem a viver a mentira nas vossas cabeças, até não terem mais comida para comer ou ar para respirar.

Dentro dos mentecaptos ainda há a categoria dos que simplesmente não querem saber. "Não vou cá estar para assistir ao fim do mundo", dizem no seu egoísmo latente, esquecendo-se de que não demorará mais do que 50 anos até assistirmos ao fim deste planeta tal como o conhecemos, e poderão assistir, ainda durante as suas vidas mesquinhas, a guerras provocadas, por exemplo, pela falta de alimentos ou pela posse de terrenos férteis para agricultura. E se tiverem filhos e netos, devem estar-se bem a cagar para a sua saúde, porque nada está garantido para as gerações futuras.

Neste documentário esta realidade é explorada, explicada, e são apresentadas soluções, algumas pequenas e que podemos incorporar no nosso dia-a-dia. Só depende de nós mostrarmos aos nossos líderes políticos que privilegiamos o ambiente e medidas que o protejam. Está nas nossas mãos elegermos quem se preocupa, porque caso contrário o chão que pisamos não vai estar cá por muito tempo. É um dos grandes temores que tenho caso o Trampa seja eleito. Ele está-se simplesmente a cagar para o ambiente e ainda goza com o aquecimento global, pois espero que lhe exploda na cara e que a sua casa e património sejam os primeiro a ser levados no próximo furação ou cheia.

Para quem estiver interessado, entre as coisas que podemos fazer estão, por exemplo:

- Não consumir produtos com óleo de palma. É uma das maiores causas de desflorestação - são provocados incêndios deliberadamente em várias áreas do globo para replantar com vista à exploração deste óleo, que é vendido como sustentável e saudável mas está a matar as florestas, animais e ecossistemas. Podem ler aqui, aqui ou aqui sobre o flagelo. Um em cada dois produtos que encontramos no supermercado têm óleo de palma, desde os alimentos aos cosméticos. Está na nossa mão não os adquirir e ler as letras pequenas, pois é obrigatório informar da sua presença.

- Evitar comer carne de vaca. Ao comer apenas um hamburguer de vaca estamos a comer o equivalente a 3 meses de duches. Sim. 3 meses de duches. Para manter uma vaca alimentada são precisas quantidades inacreditáveis de ração e água, tanto que o que uma única vaca come dava para alimentar dezenas de pessoas, durante toda a vida. Onde estão as prioridades? Para além disso, as vacas libertam metano para a atmosfera, o que faz com que a agricultura pecuária seja a principal responsável (51%) pelas emissões de dióxido de carbono. Sim, mais do que os carros, aviões e todas as coisas óbvias que podem pensar. Já nem falo numa dieta sem carne (é óptimo, já agora, mas sei que é difícil convencer a maioria das pessoas) - se, numa refeição, optar por frango em vez de vaca já está a reduzir em 80% as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera!

- Optar sempre pela opção mais sustentável. Seja ao preferir os transportes públicos, ou andar a pé ou de bicicleta; optar por ingredientes frescos e sustentáveis; fazer um uso inteligente da electricidade; tudo depende do consumidor. É ele quem dita as tendências, quem compra e quem manda no mundo. Vamos gastar menos energia e depender menos dos combustíveis fósseis.

Mudar está nas nossas mãos. Vejam o documentário, é muito elucidativo. Um agradecimento ao DiCaprio por dar a cara pelo planeta.

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