(Re)descobertas musicais #12 - grandes esperanças

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Esta não é uma descoberta nova, mas é uma descoberta recorrente. Cada vez que a oiço. Se tivesse a tarefa impossível de escolher a minha música preferida, provavelmente seria esta. A "High Hopes" dos Pink Floyd tem a capacidade única de me tirar do sério, de me arrepiar, de me provocar uma nostalgia melancólica que me chega à medula.

Há décadas que oiço (e sinto) a porra da música e toca-me sempre. Envolve-me numa viagem ao passado, onde o que foi já não volta a ser. Regresso à infância e à adolescência, sinto o sol, os cheiros e os sons dessa altura. Tudo me atinge como um raio de luz, quente, e sinto-me como se estivesse lá atrás durante aqueles minutos onde as minhas memórias são vivas.

"A relva era mais verde", "a luz era mais forte", "o sabor era mais doce", naqueles dias que não tinham fim e onde a idade adulta era um mito tão distante. A guitarra, depois, chora, num solo fabuloso que é a machadada final que me diz que aquelas sensações que vivi são apenas isso, memórias. O tempo passou e afinal as noites que pareciam intermináveis conheceram um fim.

Mas a lembrança não é tristeza. A distância larga dessas memórias é um saudosismo terno e uma certeza irrevogável que existiram tempos inocentes, sem amarras e sem preocupações, em que o mundo era só aquilo mas era todo nosso.  A perda dessa inocência e do desconhecimento é que dói.

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