"When I was 5 years old, my mother always told me that happiness was the key to life. When I went to school, they asked me what I wanted to be when I grew up. I wrote down ‘happy’. They told me I didn’t understand the assignment, and I told them they didn’t understand life."
John Lennon
Poucas são as pessoas que quase desde sempre souberam o que queriam ser. E mais do que uma profissão, mais do que saber que função irão desempenhar no nosso sistema massificado de modo a ganhar os trocos que lhes permitirão sobreviver, é mais importante saber que se quer ser feliz. E isto é tão subvalorizado que me dá comichão. Ensinam-nos as profissões desde pequenos, quem faz o quê, qual é o papel de cada um na sociedade. Que é preciso dinheiro para tudo. Que os papás são ausentes porque têm de ir trabalhar. Esquecem-se que o essencial é mesmo tirar partido de estarmos cá.
Deviam ensinar - não importa o que faças para ganhar a vida. Tens é de ganhar à vida. Não te deixes vencer, nunca. Luta sempre por aquilo que queres, e terás prazer em cada passo dado. Porque estar cá não é fácil, vais ser julgado, pisado, maltratado. Se não seguires o objectivo da felicidade, facilmente te perderás por outros caminhos dos quais irá ser difÃcil sair. Concentra-te naqueles que gostam de ti e de quem gostas. Colecciona motivos que te façam sorrir. Aproveita.
John Lennon
Poucas são as pessoas que quase desde sempre souberam o que queriam ser. E mais do que uma profissão, mais do que saber que função irão desempenhar no nosso sistema massificado de modo a ganhar os trocos que lhes permitirão sobreviver, é mais importante saber que se quer ser feliz. E isto é tão subvalorizado que me dá comichão. Ensinam-nos as profissões desde pequenos, quem faz o quê, qual é o papel de cada um na sociedade. Que é preciso dinheiro para tudo. Que os papás são ausentes porque têm de ir trabalhar. Esquecem-se que o essencial é mesmo tirar partido de estarmos cá.
Deviam ensinar - não importa o que faças para ganhar a vida. Tens é de ganhar à vida. Não te deixes vencer, nunca. Luta sempre por aquilo que queres, e terás prazer em cada passo dado. Porque estar cá não é fácil, vais ser julgado, pisado, maltratado. Se não seguires o objectivo da felicidade, facilmente te perderás por outros caminhos dos quais irá ser difÃcil sair. Concentra-te naqueles que gostam de ti e de quem gostas. Colecciona motivos que te façam sorrir. Aproveita.
A mudança que mais custa é aquela que é inesperada. A que não pedimos para acontecer. Aquela que nos incomoda, quando estamos confortáveis num lugar, e mandam-nos para outro, contra a nossa vontade e sem nos perguntar a opinião. E assim, de repente, começar do nada, novas caras, novas relações, uma adaptação a outra nova realidade. Eu, que queria apenas estabilidade, volto a estar na corda bamba mais uma vez, por entre dúvidas diárias acerca do que me irá acontecer, o que vou fazer, quais vão ser as minhas responsabilidades. E quando tudo souber, nova mudança, que quase nunca é para melhor, só para eu ser um bocadinho mais feliz na minha instabilidade, passe a ironia.
Ai, quem me dera tanta coisa. Quem me dera que tudo fosse simples, para começar.
Ai, quem me dera tanta coisa. Quem me dera que tudo fosse simples, para começar.
"Porque o que mais custa a suportar não é a derrota ou o triunfo, mas o tédio, o fastio, o cansaço, o desencorajamento. Vencer ou ser vencido não é um limite. O limite é estar farto."
VergÃlio Ferreira
Enquanto houver vontade e motivação, vai-se sobrevivendo às derrotas, ou celebrando as vitórias. Se a coisa correr mal, queremos ultrapassar essa situação, dar mais de nós, aprender com os erros, tentar de novo. Se a coisa corre bem, melhor ainda, o contentamento é absoluto e queremos outros tantos sucessos. Agora, quando o tédio e fastio se instalam, que mais há a fazer? As funções que desempenhamos e às quais estamos vinculados tornam-se tão repetitivas e monótonas que nos tornamos pessoas fartas e aborrecidas à velocidade da luz. Tudo custa, nessa altura. E esse é o limite. Não é a derrota. Motivados, encaramos a derrota. Entediados, a derrota mata-nos.
VergÃlio Ferreira
Enquanto houver vontade e motivação, vai-se sobrevivendo às derrotas, ou celebrando as vitórias. Se a coisa correr mal, queremos ultrapassar essa situação, dar mais de nós, aprender com os erros, tentar de novo. Se a coisa corre bem, melhor ainda, o contentamento é absoluto e queremos outros tantos sucessos. Agora, quando o tédio e fastio se instalam, que mais há a fazer? As funções que desempenhamos e às quais estamos vinculados tornam-se tão repetitivas e monótonas que nos tornamos pessoas fartas e aborrecidas à velocidade da luz. Tudo custa, nessa altura. E esse é o limite. Não é a derrota. Motivados, encaramos a derrota. Entediados, a derrota mata-nos.
"Se me dessem uma vida infinita para viver suicidava-me de imediato. É a certeza da morte que dá valor à vida".
in "A Rapariga Errada", de Pedro Paixão
Penso que ninguém poderá imaginar como é ter uma vida infinita - é apenas fantasia, sempre será. Todos terão certamente vontade de saber qual seria a sensação de a vida não ter fim. Sem o envelhecimento, o cansaço, a constatação da passagem do tempo. Chegar a uma certa idade, e o nosso corpo parar ali. Sem rugas, manchas no corpo, plena sanidade. Para sempre frescos e fofos. Acredito piamente que a existência da morte nos faça valorizar estarmos aqui, mas seria fantástico viver sem prazo de validade. Quando deixássemos algo para depois, o depois teria um espaço tão grande que tudo acabaria por acontecer. E quando nos fartássemos, a escolha seria nossa, ou se vive, ou não. Uma escolha. Como um contrato a ser renovado por acordo de ambas as partes.
in "A Rapariga Errada", de Pedro Paixão
Penso que ninguém poderá imaginar como é ter uma vida infinita - é apenas fantasia, sempre será. Todos terão certamente vontade de saber qual seria a sensação de a vida não ter fim. Sem o envelhecimento, o cansaço, a constatação da passagem do tempo. Chegar a uma certa idade, e o nosso corpo parar ali. Sem rugas, manchas no corpo, plena sanidade. Para sempre frescos e fofos. Acredito piamente que a existência da morte nos faça valorizar estarmos aqui, mas seria fantástico viver sem prazo de validade. Quando deixássemos algo para depois, o depois teria um espaço tão grande que tudo acabaria por acontecer. E quando nos fartássemos, a escolha seria nossa, ou se vive, ou não. Uma escolha. Como um contrato a ser renovado por acordo de ambas as partes.
"Perguntamos a uma pessoa de 60, 70 anos o que fez para não ter feito as coisas que achava essenciais aos 20 anos, e a pessoa provavelmente diz: não me lembro. Se calhar esteve a pagar contas de electricidade. É uma coisa assustadora, a papelada para uma pessoa estar viva. Apetecia-me muitas vezes dizer: não me chateiem, quero só estar vivo."
Gonçalo M. Tavares in "Entrevista a MilFolhas (Público), em 8 Janeiro 2005"
Ultimamente tenho-me preocupado bastante com o que fazer à vida. Estou constantemente a desejar que o tempo passe e que o relógio avance, para daqui a uns anos estar a desejar que o tempo pare e que o relógio retroceda. O ideal é que cada segundo de vida fosse celebrado, festejado, que desse um prazer imenso estar vivo, fazendo aquilo que se gosta, quando apetece, com quem desejamos.
Ora as papeladas desta vida não ajudam nada a este desejo. A partir de uma certa idade, passamos tanto tempo presos a burocracias, que só se ganham rugas, pés de galinha, dores de costas e outras maleitas. Não entendo para que é que tenho de preencher tanto papel, ir tantas vezes às Finanças, à Câmara, à Loja do Cidadão e mais o raio que o parta, perder horas da minha vida e da minha juventude, saliva e sanidade, para estar em conformidade com o que alguém estabeleceu, passando pelas frondosas filas e gentes antipáticas deste planeta. Terei 70 anos e não me lembrarei do que fiz aos 20, porque foi dentro de quatro paredes brancas e com cheiro a suor, em gabinetes apertados, filas intermináveis e bebés a chorar, que passei uma boa parte da minha juventude, nada memorável.
E em vez disso poderia ter estado a jogar à bola na praia e a atirar areia para cima do cabelo de alguém, fugindo de seguida, como se fosse escapar, por entre risos que ficam para sempre.
Gonçalo M. Tavares in "Entrevista a MilFolhas (Público), em 8 Janeiro 2005"
Ultimamente tenho-me preocupado bastante com o que fazer à vida. Estou constantemente a desejar que o tempo passe e que o relógio avance, para daqui a uns anos estar a desejar que o tempo pare e que o relógio retroceda. O ideal é que cada segundo de vida fosse celebrado, festejado, que desse um prazer imenso estar vivo, fazendo aquilo que se gosta, quando apetece, com quem desejamos.
Ora as papeladas desta vida não ajudam nada a este desejo. A partir de uma certa idade, passamos tanto tempo presos a burocracias, que só se ganham rugas, pés de galinha, dores de costas e outras maleitas. Não entendo para que é que tenho de preencher tanto papel, ir tantas vezes às Finanças, à Câmara, à Loja do Cidadão e mais o raio que o parta, perder horas da minha vida e da minha juventude, saliva e sanidade, para estar em conformidade com o que alguém estabeleceu, passando pelas frondosas filas e gentes antipáticas deste planeta. Terei 70 anos e não me lembrarei do que fiz aos 20, porque foi dentro de quatro paredes brancas e com cheiro a suor, em gabinetes apertados, filas intermináveis e bebés a chorar, que passei uma boa parte da minha juventude, nada memorável.
E em vez disso poderia ter estado a jogar à bola na praia e a atirar areia para cima do cabelo de alguém, fugindo de seguida, como se fosse escapar, por entre risos que ficam para sempre.
Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável;
Tendência para circunstâncias maioritariamente positivas ou maioritariamente negativas;
Série de desgraças ou desgostos.
in Dicionário Priberam da LÃngua Portuguesa
Há quem se apoie e se justifique na sorte em diversos aspectos da sua vida. Há quem simplesmente não acredite nela, que é só um conceito inventado para justificar o injustificável, uma desculpa esfarrapada para aqueles que simplesmente não se esforçam. Eu acho que acredito na sorte sobretudo quando ela não existe. Não estou a falar de mim. Considero-me sortuda, tenho tudo o que preciso, e é mais do que a maioria das pessoas no mundo tem. Tenho um emprego estável, tenho famÃlia, amigos espectaculares, um namorado adorável, hobbies, interesses, tempo, sou jovem. O pior é quando as "séries de desgraças ou desgostos" acontecem à s pessoas que eu mais gosto, sucessivamente, tornando-as mais amargas, descrentes, infelizes, e eu não poder fazer nada para mudar isso. Sinto-me mal, péssima, em olhar para esses que eu adoro, vê-los definhar, perder a cabeça, e eu não conseguir mudar esse destino. Aà digo: "que má sorte" tem esta pessoa. E em menos de nada, lá está a sorte, ou a falta dela, a existir mais do que nunca. Quando as coisas correm mal, não há conceitos que nos valham. Mas não paro de perguntar "porquê"? Porque é que esta pessoa tem de sofrer tanto, se é tão boa pessoa e não merece? E eu, que gosto tanto dela, definho por dentro também, e não sou feliz enquanto ela não o for.
Tendência para circunstâncias maioritariamente positivas ou maioritariamente negativas;
Série de desgraças ou desgostos.
in Dicionário Priberam da LÃngua Portuguesa
Há quem se apoie e se justifique na sorte em diversos aspectos da sua vida. Há quem simplesmente não acredite nela, que é só um conceito inventado para justificar o injustificável, uma desculpa esfarrapada para aqueles que simplesmente não se esforçam. Eu acho que acredito na sorte sobretudo quando ela não existe. Não estou a falar de mim. Considero-me sortuda, tenho tudo o que preciso, e é mais do que a maioria das pessoas no mundo tem. Tenho um emprego estável, tenho famÃlia, amigos espectaculares, um namorado adorável, hobbies, interesses, tempo, sou jovem. O pior é quando as "séries de desgraças ou desgostos" acontecem à s pessoas que eu mais gosto, sucessivamente, tornando-as mais amargas, descrentes, infelizes, e eu não poder fazer nada para mudar isso. Sinto-me mal, péssima, em olhar para esses que eu adoro, vê-los definhar, perder a cabeça, e eu não conseguir mudar esse destino. Aà digo: "que má sorte" tem esta pessoa. E em menos de nada, lá está a sorte, ou a falta dela, a existir mais do que nunca. Quando as coisas correm mal, não há conceitos que nos valham. Mas não paro de perguntar "porquê"? Porque é que esta pessoa tem de sofrer tanto, se é tão boa pessoa e não merece? E eu, que gosto tanto dela, definho por dentro também, e não sou feliz enquanto ela não o for.




