Pessoas estranhas #85 - os indignados dos circos sem animais

quinta-feira, dezembro 21, 2017

Está em cima da mesa a questão de acabar com a utilização de animais selvagens nos circos. Para mim, essa prática nunca devia ter começado. Para muitos, é a indignação total. Já li coisas como:

  • "No Zoomarine, no Jardim Zoológico e nas touradas ninguém toca", por Miguel Chen (Circo Chen)
  • "E os cães e os gatos nas casas das pessoas, não estão também em cativeiro? Vão soltá-los?", por uma cota indignada
  • "Qual é a piada de ver circo sem animais?", por um agrobeto com patilhas
  • "E os animais que são mortos para a alimentação? Quando é na mesa ninguém se indigna!", por um gordo rabugento com bigode
  • "Não vejo qual é o problema, sempre foi assim!", por senhora com permanente e casaco de peles

Começando pelo início. Senhor Chen, se dependesse de mim essa merda toda acabava. Tudo o que implica tirar os animais do seu habitat natural e usá-los para proveito humano, é para acabar. Nunca devia ter começado. Se tivermos a oportunidade de acabar com isso só mostra que o humano está disposto a aprender com os erros e a corrigi-los. Sim, temos de começar por algum lado, e o seu caso é dos mais graves. Tem animais selvagens que pertencem às florestas, aos desertos, às montanhas, fechados em pequenas jaulas que transporta pelo país todo, que "ensinou" (leia-se, obrigou, por quais vias só podemos imaginar) a fazer truques, para que lhes batam palminhas e lhe encham os bolsos. Super, mega, errado.

Quanto aos indignados do sofá, os guerreiros da opinião social facebookiana:

- Os gatos, cães, hamsters, etc, que eu saiba, não são animais selvagens. Podem ser domesticados e criam laços com os humanos sem que seja necessário chicoteá-los e mantê-los em jaulas. Se comparam uma coisa com a outra são apenas estúpidos. Tentam encontram justificações onde não as há. É claro que há donos e "donos", e existem animais que mais valia estarem nas ruas do que com donos de merda, mas isso é outra discussão.

- Se a ideia de piada para si é ver dromedários a correr dum lado para o outro, ver ursos a fazer malabarismo e tigres equilibristas, sugiro que enfie um pau de vassoura no cu e vá fazer parkour para a Marina de Vilamoura vestido de panda. Alguém baterá palmas e será ainda mais divertido, para além de super in.

- Eu não como carne, mas a tentativa de comparar a necessidade de entretenimento humano à custa dos animais que passam toda a vida em cativeiro em extrema infelicidade, a matar para comer em ambiente controlado mete-me nojo. Não é que eu goste (por alguma razão deixei a carne), mas até quem tem uma opinião extrema sobre o assunto detecta a comparação de merda.

- O "sempre foi assim" é das coisas que mais me irrita. Porque a senhora escreveu aquilo no seu computador, ou no seu telemóvel, nas redes sociais, que são coisas recentes. Pensei que ela morava na caverna, porque "sempre foi assim". Pensei que andava descascada, tapada com parras nas mamocas e na xaroca, porque "sempre foi assim". Tinha foto de um carro, mas pensei que se deslocasse a pé com a sua trupe conforme as estações do ano e em busca de alimento, porque "sempre foi assim". Pensei que não ia ao cabeleireiro e à manicure e se que deixava ao deus-dará, porque "sempre foi assim". Pensei que comunicava com sinais de fumo, porque "sempre foi assim". Mas afinal quem alega que "sempre foi assim" são aqueles que mais se aproveitaram da evolução e que têm nojo de comer com as mãos e que preferiam perder um dedo do que o iPhone.

Se ainda não assinaram a petição por um circo sem animais, podem fazê-lo aqui. Vamos dar um passo em frente, aproximar-nos dos países mais evoluídos e mostrar respeito pelo planeta que nos alberga. Serão encontradas soluções para todos os animais. Por todo o mundo, eles estão a ser devolvidos à natureza por fases, e os que se encontram em situações mais críticas ficam em santuários onde podem viver tranquilamente. Podemos evoluir. Não precisamos de maltratar outros seres vivos para nosso entretenimento. Não nos podemos esconder perante o argumento da racionalidade. Isso não justifica tudo. Não somos superiores como pensamos. E todos merecemos ser livres.


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