Quem está vivo, está para morrer

quarta-feira, abril 04, 2018

"Não sei como vou morrer, não sei se vou ter tempo para pensar. Mas, muitas vezes, quando tenho de fazer avaliações importantes, imagino como seria se estivesse para morrer. E estou. Quem está vivo, está para morrer.
Os moribundos libertaram-se das ilusões. Nessa queda, o que não importa é leve, desprende-se e fica para trás. São acompanhados apenas por aquilo que pesa. Morrem nus.
O julgamento dos moribundos é mais livre.
Não saber o que se quer é um luxo de quem tem demasiadas possibilidades. Os moribundos sabem sempre o que querem.
A morte é uma balança.
Talvez quem esteja a ler estas palavras já saiba como vou morrer, como morri."

in O Caminho Imperfeito, de José Luis Peixoto

Conseguissemos nós o desprendimento e a leveza daqueles que já nada esperam, que têm um desejo único e total - talvez o mais importante das suas vidas prestes a terminar. Talvez esse ensejo derradeiro seja a motivação que precisemos, quando ainda longe da morte, não conseguimos descortinar o caminho. Mas, enfim, seremos eternas almas, quais traças, a vaguear ao redor das várias possibilidades de luz, até ao fim. Desde que não nos esqueçamos, como o autor menciona no livro mencionado, "o caminho também é um lugar".


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