1922

segunda-feira, outubro 23, 2017

"1922" é um filme acabinho de sair na Netflix, baseado num conto de Stephen King. E tal como em tudo o que o meu mestre faz, fui ver logo a correr.

A ação passa-se nesse ano. Wilfred James vive com a mulher e o filho no campo, onde o casal tem terras e planta milho. Acontece que essas terras pertencem à mulher. Agora que o pai dela faleceu, ela pretende vender as terras e rumar para Omaha, a cidade grande, onde sonha abrir uma loja de roupa.

Ora Wilfred e o filho não ficam nada contentes com esta pretensão - não querem abdicar da vida no campo, que é tudo o que conhecem e que adoram. Perante a intransigência da mulher, elabora um plano para a matar - a única solução possível para a sua vida permanecer tal como é.

Mas, claro, nada é simples. É a culpa que ataca, é a vida que não volta a ser o que foi, é o deteriorar da relação com o filho, é tudo a desmoronar, são os sonhos a cair por terra, tal castigo divino a entrar em ação. Vemos a arrogância e a certeza transformarem-se em arrependimento e desilusão de forma magistral.

Thomas Jane, que desempenha o papel de Wilfred, foi para mim uma surpresa. Desconhecia-o, e foi o estandarte deste filme, elevando as emoções deste homem, e a falta delas, a um patamar elevadíssimo. É um filme negro e trágico que decorre a um ritmo que talvez a muitos possa parecer lento - a mim pareceu-me verdadeiro - ganhando o estatuto de fábula. Uma nota extra-positiva para a fotografia.



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