Pessoas estranhas #90 - Radialistas vs Youtubers

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Para quem anda enfiado debaixo de uma pedra e não sabe o que se passa, há uma batalha a acontecer entre radialistas e youtubers. Podem ver uma delas aqui. Tudo começou com Nuno Markl e Ana Galvão, que, preocupados com os conteúdos pouco bonitos dirigidos a um público mais jovem (inclusivé o filho de ambos), criticaram esta nova profissão por proliferarem uma linguagem menos própria e promoverem maus comportamentos - uma das maiores críticas surgiu quando um desses Youtubers disse "quando a tua mãe te acordar para ires para a escola manda-a para o caralho".

Tudo isto já tomou proporções exageradas e a batalha campal online vai seguindo, agora, como no exemplo mostrado, entre radialistas (neste caso, na Antena 3), e um dos Youtubers (Tiagovski), que analisa e comenta a conversa na rádio.

Ora, não tenho grande opinião sobre o tema, não estou no lado de ninguém e até consigo ver alguma razão nos dois lados. Nisto, criei os meus próprios mandamentos:

  • Não julgar o todo pela parte
Sim, os Youtubers têm uma grande influência nos mais jovens, são seguidos por milhares, têm milhões de visualizações, e não lhes faria mal nenhum ser um bom exemplo a seguir. Mas depois de espreitar alguns... até são. Não podemos julgar o todo por uma parte (como em tudo na vida!) e deitá-los todos abaixo por um ou outro serem uns verdadeiros cabrõezinhos.

  • Não ser invejoso
Tanto se fala do dinheiro que os Youtubers ganham... Inveja tenho eu. Quem me dera ter paleio e discernimento para ganhar a vida a fazer vídeos, postá-los e deixá-los render. Mas não é só isto. São horas de captação de vídeo, muitas mais horas para editá-los, e dá muito mais trabalho do que carregar num botão e fazer upload.

  • Não ser púdico
O Markl foi acusado de ter um programa no Youtube onde é só caralhadas para aqui e para ali (a Nêspera no Cu, que eu adoro). Ele respondeu que era dirigido a um tipo de público diferente. E tem razão. Mas para quem se senta à frente do PC, tenha 12 ou 90 anos, vai dar ao mesmo. Se pesquisar "caralho", se calhar até chego mais depressa aos vídeos do Markl devido à rúbrica "Azar do caralho" do que aos outros. Hoje, os palavrões e maus exemplos estão em todo o lado e é impossível proteger as gerações mais novas deles - há que dar mais enfoque, na educação, à distinção entre o que é certo e errado, ao que é adequado à idade e, enfim, dar o exemplo.


  • Há espaço para todos
Estas são as próprias palavras de um Youtuber (no link em cima) e não podia ter mais razão. Esta é a era do mundo digital, e é normal que os putos nasçam com wi-fi incorporado na peida. Como tal, crescendo no meio de pixels e net móvel, vão ser o público alvo dos Youtubers. Embora os meios tenham de se adaptar, há espaço para que todas as gerações encontrem entretenimento para todos os gostos.

  • Temos de nos lembrar dos nossos próprios comportamentos erráticos
Mas quem é que foi um adolescente perfeito? Com mega notas, sempre a estudar, com um linguajar aprumado, respeitando sempre os mais velhos... Que seca! Que nerds! Nunca dei muito trabalho aos meus pais, mas mandei-os à merda algumas vezes, levei nas trombas, faltei a aulas, fumei... E que eu saiba sou uma pessoa perfeitamente normal, com estudos, com um emprego, com hobbies. Sou mentalmente mais saudável do que essa gente outrora perfeitinha que hoje em dia mete baixa por arranhar o joelho.


  • Sim, muitos Youtubers precisam de ler mais

Nem que seja no Kindle (já que são do mundo digital), porque as calinadas e bacoradas no português são mais que muitas e, meninos, já que são vistos como um exemplo, copiados, seguidos, exibidos ao mundo, então invistam um pouco na literatura, só vos fica bem, ganham mais vocabulário, melhoram o paleio, fazem um brilharete com os dotes e toques de língua. Força!

  •  O que é interessante para mim, não é para ti 
E sempre foi assim desde o início dos tempos, só que as escolhas são cada vez mais e mais. O conteúdo dos vídeos dos Youtubers não é interessante para mim, mas é decerto para o seu público. Não vou denegrir o que gostam de fazer lá por eu não gostar. Se eles curtem fazer vídeos de jogos online, visitar e comentar eventos que não me dizem nada, fazer versões de músicas já de si degradantes, estão no seu direito. Há outras coisas que gosto - as partidas, os memes, as piadas.

Resumindo e baralhando, não se preocupem, todos vamos morrer.

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4 comentários

  1. Apoio o conselho de leitura. Podem dizer as palavras que quiserem, são livres de o fazer, mas já agora bem ditas, bem aplicadas. Vi à pouco tempo uma actriz inglesa (Miriam Margolies) corrigir o "Will.i.am" que aplicava "like" a torto e a direito por ser moda. Ele até conseguia falar direito e fê-lo, com algum esforço, mas de uma forma que soou bem melhor!
    Viva quem fala direito!

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  2. Exacto! A liberdade criativa é muito bonita e tal, os novos tempos trazem novas profissões e novos meios de comunicar, mas que se faça como deve ser! Bom dia e obrigada pelo comentário :)

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  3. Pára tudo! Pensava que só existia o programa Nêspera no cu em forma de podcast! Melhor notícia, mil obrigadas

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