Pessoas estranhas #100 - a gaja mais chata do universo

quinta-feira, maio 10, 2018

A gaja mais chata do mundo mora no meu local de trabalho e eu tenho de escrever sobre isso antes que arranque os cabelos - os dela primeiro, depois os meus.

Nunca tive o desprazer de lidar com alguém assim. Já conheci muita gente chata, mas que acabam por se tornar conscientes de si próprias e acalmar o pito. Esta, já se viu que é mesmo coisa dela, intrínseca, inerente, uma coisa descontrolada que me descontrola.

Será impossível replicar aqui os seus comportamentos por escrito. Só visto e vivido ao vivo. De qualquer forma, vou dar o meu melhor e listar o que me aborrece.  

Ela não se cala
Existe nela uma necessidade de falar. Falar, falar, falar. Nunca a vi mais de 5 minutos calada. Quando esse tempo limite passa e ninguém vai falar com ela, ela levanta-se e toma a iniciativa. E estando num local de trabalho, seria de imaginar que falasse sobre trabalho. Mas não. Até pode começar a conversa por aí, mas depressa tudo resvala para ela própria. Do género: "Viste o email que eu te mandei? Sim? Possa, tenho aqui uma dor de lado, acho que foi de blá blá blá blá...". Ou: "Já fiz o powerpoint. Esta cor de verniz, que achas?". Foda-se, foda-se, foda-se. Se há alguém que não tem pachorra para este tipo de conversas, sou eu. E tive de lhe dizer, à segunda ou terceira tentativa de falar sobre si própria comigo, que, primeiro, tenho mais do que fazer, e, segundo, não quero saber.

É a pessoa mais importante do seu mundo e tem de falar sobre isso a alguém
No decorrer do ponto anterior... Eu também sou importante para mim. Sou a pessoa mais importante do meu mundo, no meu mundo. Este mundo que está fechado a sete chaves e que só revelo às pessoas mais próximas. Mas garanto, bastam uns segundos com esta mulher e ela desbonina tudo cá para fora. Despeja o currículo, cor preferida, gostos musicais, o que gosta de vestir, se está com período... sem que ninguém lhe pergunte... NADA!

Parece um suricata
Estão a visualizar um suricata, que estica o pescocinho para ver o que se passa à sua volta? Tal e qual. Ela está à minha frente, na diagonal, e basta alguém se mexer, ou falar, ou ir à casa de banho, ou qualquer coisa, para ver o seu pescocinho se levantar, muito erecto, a rodar de um lado para o outro, ainda assim não perca nenhuma acção deste escritório!

É uma queixinhas
Em conversa com um colega, que ela chamou para falar de como é eficiente, começou a falar dos colegas que andavam sempre a passar no corredor, que concerteza iam fumar, e ela, como não fuma, que é muito dedicada ao trabalho. Ela não sabe se eles vão para reunião, se vão cagar, se vão tirar café. Ela não tem nada a ver com isso, mas a tóxica que há em si acha por bem ir dizer a uma pessoa que mal conhece que os outros colegas têm maus hábitos e não são eficientes. Pois claro que ele veio chibar-se a mim.

É uma lambe-cus
Já perdi a conta às vezes em que ela disse que trabalhava pela noite dentro, que acordava mais cedo para trabalhar, que trabalhava ao fim de semana. E quando há um chefe por perto, diz ainda mais vezes e mais alto. E diz-lhes diretamente, que eu vi e ouvi, "és o chefe mais fixe, atendes-me ao sábado!". Querida. Isso só me diz que tu não tens vida social e familiar, bons hábitos e respeito pelo teu próprio tempo. E que gostas de lamber rabinhos.  

Toca nas pessoas
Não basta falar, ela tem de tocar na pessoa com quem fala. Pois que caíu no erro de me tocar. A mim, bicho do mato, pessoa-fóbica, que nem os meus pais estão autorizados a tal. Quando ela me tocou e enrolou uma meada de cabelo na sua unha de gel, eu tive de lhe dizer: "Se fazes o favor, esta foi a primeira e última vez que me tocas". O meu olhar gélido foi a cereja no topo do bolo que a fez parecer um disco riscado, ou um robô do Westworld com problemas na programação.

Eu cheguei a pensar que isto era apenas implicação minha, que já gosto pouco de gajas e esta, sendo chata como a putaça, ficou-me aqui tipo espinha na garganta. Mantive-me caladinha no meu canto, até que um colega, meio a medo, me veio perguntar se não achava a colega nova a maior chata do universo. E contou-me uma data de coisas, como quando ela o chamou com o pretexto de trabalho para lhe mostrar uma assadura na perna e as suas playlists do Spotify. No seu primeiro dia aqui. Mais tarde, fê-lo tirar os phones para dizer que ia à casa de banho e almoçar. Ele, que é simpático e não consegue dizer-lhe na cara para ir para a puta que a pariu, tem aguentado com ela e depois desabafa comigo. E depois, claro, ela liga-lhe nas férias, fazendo com que ele bloqueie o seu número. Há muito, muito mais por dizer, mas acho que isto basta para terem uma pequena noção.

Acho que ela é solteira, e tenho a certeza que assim vai continuar, até morrer, a não ser que arranje um surdo. É humanamente impossível um homem (ou uma mulher) aguentar uma relação amorosa com alguém assim. É daquelas que acabaria por ser vítima de um crime passional, e eu iria compreender perfeitamente. "Homem atira esposa da janela do 7º andar" seria uma manchete credível nesse cenário. Que pessoa tão, mas tão carente!

Hoje, já somos uns quantos que desabafamos uns com os outros sobre quanto a odiamos. No fundo, ela uniu-nos. Obrigada, suricata. Mas podes ir morrer longe.

PS: e logo esta bitch é a pessoa #100 desta rúbrica, mesmo para eu não me esquecer dela enquanto for sã.


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3 comentários

  1. Solidarizo-me! Já passei por algumas do género! E o que demoro até alguém penetrar os muros e conhecer o meu outro lado. Costumo dizer que esse tipo de pessoas me faz "encaracolar a ponta dos dedos" e fecho-me que nem uma ostra! Força. Estou solidária (e eu sei que é fácil eu estar, porque não aturo nenhuma senhora #100)

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  2. Obrigada pela compreensão e apoio! Não é fácil aturar isto todos os dias :( Todos temos as nossas "senhoras", enfim, é lutar para continuarmos a ser civilizados e não fazermos o que nos apetece fazer-lhes e responder-lhes.

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    1. Mas é tão difícil não o fazer.... ficamos entupidas! Lá terá que ser ;-)

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