Pessoas estranhas #94 - a Assunção Cristas

segunda-feira, março 12, 2018

Esta mulher, que é uma política abaixo do razoável e que raramente dá uma para a caixa, deu um tiro no pé que não posso deixar passar ao lado. Para além de ser uma oportunista, de se contradizer, de ser alheada da realidade e snob, agora veio dizer que a tourada, para ela, é como um bailado.

Dito isto, só me apetece bailar na campa dela. Mas até lá tenho de analisar esta comparação de merda. Uma poia, bosta, cocó de comparação.

Ora bem. Um bailado é feito por pessoas. Por bailarinos, que passaram anos, mesmo décadas, dedicados a esta forma de arte, treinando todos os dias, passando por sacrifícios, em nome da arte. Dão o seu próprio sangue, suor e lágrimas, deixam tudo de si no palco. E não são só eles - os cenários fantásticos, o importante espectáculo de luzes, a música, o guarda-roupa, e tudo o mais - trata-se de pessoas a montar um espectáculo inesquecível para pessoas, para contar uma história através da leveza dos gestos, da beleza, da composição, do entrosamento.

Numa porcaria de uma tourada, o sangue e as lágrimas são apenas dos touros. Não há uma história a ser contada, não há ensaios diários, porque não é uma encenação. É um animal, com sentimentos, que sente medo, raiva, dor, frustração. É um ser vivo que está ali contra a sua vontade e cuja vida nunca irá terminar bem. E poderá ser ali, na arena, o local da sua morte. Pode ser em frente àquelas pessoas que pagaram para o ver desnorteado e que aplaudirão o seu sangue derramado. Soltarão olés perante a sua humilhação e baterão palmas para o ver dominado. E mesmo que o touro tenha a sorte de atingir o seu provocador de pouco lhe servirá, porque este é um jogo no qual vai perder sempre. Eles choram, as lágrimas escorrem-lhes, porque o destino deles está selado e traçado desde que nasceram.

Não, senhora Assunção, você não compare estas coisas. Porque no bailado ninguém se esvai em sangue, ninguém está ali contra a sua vontade, não se está ali por um motivo sádico e nada nobre. Não compare um espectáculo a uma tortura. Não compare arte à morte disfarçada de tradição. Não quero saber se de onde veio isto é normal - felizmente o que não era normal há 500 anos já não é, à excepção desta merda de chacina que nunca mais desaparece. Não ofenda a inteligência de possíveis votantes e da população em geral, você é uma figura pública e deve abster-se de vomitar obscenidades na comunicação social - para isso já basta o seu discurso normal. (Será que veste as calças de ganga para ir à tourada ou essas estão apenas guardadas para as visitas aos bairros sociais?)

Aqui.



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