"Havia acabado de acordar, ainda com a impressão de ter tido uma dor aguda no ventre enquanto dormia, mas não lhe parecia que ela se fosse repetir, porém sentia o interior suspeitosamente alvoroçado, uns borborigmos surdos nos intestinos, e, de repente, a dor regressou como uma punhalada."
in A Viagem do Elefante, de José Saramago (2008)
bor·bo·rig·mo
substantivo masculino
Ruído de gases nos intestinos. = BORBORISMO
A sério? Este sonzinho que me tem acompanhado ao longo da vida e que me tem feito passar largas vergonhas tem um nome? Não admira que não soubesse, que raio de designação é borborigmo? É mesmo para nos olharem ainda mais de lado quando a barriga faz fzzzzzt e dizemos, peço desculpa, mas é só um borborigmo. Ainda correm a sete pés, pensando em doença que se pega ou bufa fugitiva. A verdade é que quando os borborigmos estão cá todos em alvorço a bufa acaba por fugir de uma maneira ou de outra. E aí, pronto, é tentar que seja num sítio apinhado, franzir o sobrolho, maldizer o cheiro, que não é nada connosco, credo, que horror.
Mais um trabalho divertido que está disponível para encontrar um dono. Um presente giro para oferecer àquele amigo que consegue ser um verdadeiro cretino... Ou numa tradução mais literal e livre, um pico ou espinho incómodo espetado onde o sol não brilha 😋
Emoldurado em moldura vintage quadrada 9x9cm.
Emoldurado em moldura vintage quadrada 9x9cm.
Para mim o Natal é um bocado difícil de suportar. A época não me diz nada mas pelos meus pais faço o sacrifício de aturar a família durante 24 horas. Por entre arrufos entre alguns membros, perguntas e mais perguntas sobre como ainda estou viva apesar de não comer carne ou porque é que não casei e não tenho filhos fazem-me ferver.
Depois de ler isto, a minha esperança é outra. O Toy é grande, a pôr a família toda mocada na noite do menino jesus. Até a avó marcha o porro. Grande ideia! Assim ninguém se chateia e ficariam demasiado ocupados a pensar na morte da bezerra para me fazerem perguntas inconvenientes. Mesmo que não alinhem, mais fica, para que eu consiga aturá-los com um sorriso parvo no rosto.
Piadas à parte, ele tem muita razão no que diz. A aura terrível que envolve a canábis tem de ser desmistificada. O álcool é uma verdadeira droga e encontra-se em qualquer supermercado, café, restaurante, estação de serviço, à mão de semear. E a canábis, uma planta com poderes curativos e sedativos, 100% natural, que nunca matou ninguém, é pintada como um monstro. Enfim, é uma grande ameaça à indústria farmacêutica... Compreende-se. Resumindo, Toy a presidente!
Depois de ler isto, a minha esperança é outra. O Toy é grande, a pôr a família toda mocada na noite do menino jesus. Até a avó marcha o porro. Grande ideia! Assim ninguém se chateia e ficariam demasiado ocupados a pensar na morte da bezerra para me fazerem perguntas inconvenientes. Mesmo que não alinhem, mais fica, para que eu consiga aturá-los com um sorriso parvo no rosto.
Piadas à parte, ele tem muita razão no que diz. A aura terrível que envolve a canábis tem de ser desmistificada. O álcool é uma verdadeira droga e encontra-se em qualquer supermercado, café, restaurante, estação de serviço, à mão de semear. E a canábis, uma planta com poderes curativos e sedativos, 100% natural, que nunca matou ninguém, é pintada como um monstro. Enfim, é uma grande ameaça à indústria farmacêutica... Compreende-se. Resumindo, Toy a presidente!
Devido ao documentário transmitido na RTP1 (disponível aqui) algumas pessoas estão agora a acordar para a vida. Outras continuam a dormir, a olhar para o lado e a assobiar, que não é nada com elas.
Eu não vi o documentário. Não vi porque me custa, porque choro, porque faço parte de grupos de defensores dos animais e já estou farta de saber o conteúdo. Sei o que se passa, e não preciso de ver e ouvir novamente os gritos e as lágrimas destes seres.
Não sei como as pessoas conseguem dormir à noite descansadas, sabendo que a comida que aparece no prato é obtida à custa do sofrimento e da dor de seres vivos, cuja inteligência e sensiência, sabemos hoje devido à evolução científica, equivale à de uma criança pequena. Não sei como conseguem ser egoístas ao ponto de pôr o seu paladar acima do modo como se tratam os outros habitantes do planeta. É uma questão de dignidade, de respeito, de sensibilidade.
Durante o transporte, os animais são sujeitos a temperaturas de mais de 40º e a água disponível depressa desaparece. Não têm espaço sequer para se virar, vão uns em cima dos outros, pouco importando aqueles que já mal se conseguem manter de pé, que têm feridas ou lesões. Seguem assim, horas intermináveis, dias, semanas, o tempo que for preciso até chegarem ao destino. Quando o transporte tem dois andares, os animais da parte de baixo ficam cobertos de merda, o que aumenta ainda mais a sua temperatura corporal e pode dar origem a infecções. Na transladação, são pendurados pelas patas por uma grua, esperneando, levando com choques eléctricos, e gritando por ajuda que não virá. Muitos morrem antes de chegar, apenas eles sabendo a dor por que passaram. São jogados para o mar, se estiverem num barco.
Mais valia que fossem mortos à partida. Mortos em meios controlados, com anestesia, e transportados em meios refrigeados. Mas isto sai muito mais caro. E nestas coisas o lucro fala sempre mais alto. Para além disso, nos países para onde são transportados são seguidos rituais de morte próprios. Ou seja, para além de tudo o que passam na viagem, muitas vezes são mortos a sangue frio em rituais bárbaros.
Portugal é um país civilizado e não pode permitir isto dentro das suas portas. A petição do PAN para existir um limite de horas de transporte diárias e a presença de um veterinário é assim tão descabida? E ainda assim é apenas uma gota no oceano. Temos de parar de exportar para o Médio Oriente e Norte de África, simplesmente. Mas como isto escapa às leis nacionais e europeias, valem a lei daqueles países. E o lucro, sempre o lucro.
Por mais que os responsáveis joguem areia para os olhos do povo, basta estar presente num dos portos onde atracam os barcos para ver a realidade tal como ela é. A realidade é muito suja, tem lágrimas a escorrer pelos focinhos, ossos partidos, fome, morte. Não podemos ficar de braços cruzados, chega de compactuar com o sofrimento alheio. Estes animais não têm culpa da vergonha que devíamos sentir. Se não sabem o que fazer, comecem por assinar esta petição. Se querem fazer mais, procurem os grupos nas redes sociais, informem-se, a acção está por todo o lado e o maior cego é aquele que não quer ver.
Eu não vi o documentário. Não vi porque me custa, porque choro, porque faço parte de grupos de defensores dos animais e já estou farta de saber o conteúdo. Sei o que se passa, e não preciso de ver e ouvir novamente os gritos e as lágrimas destes seres.
Não sei como as pessoas conseguem dormir à noite descansadas, sabendo que a comida que aparece no prato é obtida à custa do sofrimento e da dor de seres vivos, cuja inteligência e sensiência, sabemos hoje devido à evolução científica, equivale à de uma criança pequena. Não sei como conseguem ser egoístas ao ponto de pôr o seu paladar acima do modo como se tratam os outros habitantes do planeta. É uma questão de dignidade, de respeito, de sensibilidade.
Durante o transporte, os animais são sujeitos a temperaturas de mais de 40º e a água disponível depressa desaparece. Não têm espaço sequer para se virar, vão uns em cima dos outros, pouco importando aqueles que já mal se conseguem manter de pé, que têm feridas ou lesões. Seguem assim, horas intermináveis, dias, semanas, o tempo que for preciso até chegarem ao destino. Quando o transporte tem dois andares, os animais da parte de baixo ficam cobertos de merda, o que aumenta ainda mais a sua temperatura corporal e pode dar origem a infecções. Na transladação, são pendurados pelas patas por uma grua, esperneando, levando com choques eléctricos, e gritando por ajuda que não virá. Muitos morrem antes de chegar, apenas eles sabendo a dor por que passaram. São jogados para o mar, se estiverem num barco.
Mais valia que fossem mortos à partida. Mortos em meios controlados, com anestesia, e transportados em meios refrigeados. Mas isto sai muito mais caro. E nestas coisas o lucro fala sempre mais alto. Para além disso, nos países para onde são transportados são seguidos rituais de morte próprios. Ou seja, para além de tudo o que passam na viagem, muitas vezes são mortos a sangue frio em rituais bárbaros.
Portugal é um país civilizado e não pode permitir isto dentro das suas portas. A petição do PAN para existir um limite de horas de transporte diárias e a presença de um veterinário é assim tão descabida? E ainda assim é apenas uma gota no oceano. Temos de parar de exportar para o Médio Oriente e Norte de África, simplesmente. Mas como isto escapa às leis nacionais e europeias, valem a lei daqueles países. E o lucro, sempre o lucro.
Por mais que os responsáveis joguem areia para os olhos do povo, basta estar presente num dos portos onde atracam os barcos para ver a realidade tal como ela é. A realidade é muito suja, tem lágrimas a escorrer pelos focinhos, ossos partidos, fome, morte. Não podemos ficar de braços cruzados, chega de compactuar com o sofrimento alheio. Estes animais não têm culpa da vergonha que devíamos sentir. Se não sabem o que fazer, comecem por assinar esta petição. Se querem fazer mais, procurem os grupos nas redes sociais, informem-se, a acção está por todo o lado e o maior cego é aquele que não quer ver.
Já ando a ver A Casa de Papel há algum tempo mas só ontem consegui acabar. Para quem vive debaixo de uma pedra e nunca ouviu falar, é uma série espanhola disponível na Netflix. Na verdade, pôs a Espanha no mapa da televisão mundial. E com razão.
A série fala sobre um grupo de pessoas que vivem à margem da sociedade - ladrões, vigaristas, falsificadores... - e que são convidados pela personagem mais enigmática (o Professor) para darem o golpe do século. Ou do milénio. Este consiste em barricarem-se na Casa da Moeda, em Madrid, fazendo reféns dos trabalhadores e visitantes, e permanecer por lá o máximo de tempo que conseguirem a fim de produzirem a maior quantidade de dinheiro possível. E, diga-se, que o volume é uma coisa monstruosa. O que é certo é que, sem roubar um cêntimo a ninguém, e tendo planeado não derramar uma gota de sangue, este pode ser mesmo um golpe limpo, eficiente e relativamente rápido que lhes permitirá viver o resto das vidas como autênticos reis.
Acompanhamos não só o decorrer da invasão, mas vamos também espreitando os cinco meses de preparação antes do golpe. Aí é que nos vamos apercebendo da genialidade da coisa. Em cada episódio, ficamos boquiabertos com um ou outro pormenor, em especial com a mente brilhante do homem por trás da operação, o Professor, que consegue estar sempre um passo à frente da polícia.
É claro que as coisas não correm totalmente como previsto e há vários percalços e tiros que saem pela culatra, situações que são peças essenciais para nos manterem colados à série. Gera-se-nos aquele sentimento que só as boas séries conseguem: ficamos imediatamente do lado dos criminosos. Subtilmente, o sentimento de familiaridade e de luta contra o sistema imposto vai crescendo até apoiarmos e criarmos laços com quem tem as armas na mão.
A série foi (e ainda está a ser, que ainda há pouco tempo foi anunciada a 3ª temporada) um sucesso mundial, e tem influenciado a cultura popular (e não só) por todo o lado. Existiram situações, inclusivé, de assaltos em que os ladrões usavam os fatos e as máscaras de Dali características da série. Poderá não ser uma série para todos, mas que é um fenómeno e que está bem feita, está.
Do Cardeal Copia.
Ou do Papa Emeritus






